UEMOA está "bem preparada" para enfrentar os choques externos

A agência de notação financeira Standard & Poor's considera que os países da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), onde está a Guiné-Bissau, estão mais bem preparados para o aumento de tarifas do que os seus pares.

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© Reuters

Lusa
02/04/2025 19:26 ‧ ontem por Lusa

Economia

Standard & Poor's

"As tensões geopolíticas globais e o aumento das tarifas podem prejudicar a atividade económica na UEMOA, a suspensão do financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional pode ir para além dos 90 dias anunciados em fevereiro e a Lei de Crescimento e Oportunidade para a África (AGOA) pode não ser renovada", admite a S&P, mas isso terá menos impacto nestes países do que noutras geografias.

 

"Os países da UEMOA parecem estar menos diretamente expostos a estes riscos do que os seus pares, e as suas reservas em moeda estrangeira, a baixa inflação e as economias relativamente diversificadas, para além dos benefícios de estarem na UEMOA, são uma almofada adequada, no nosso entender", escrevem os analistas desta agência de notação financeira.

Num relatório sobre a economia dos países da UEMOA e a preparação para os choques externos, a S&P escreve que "um abrandamento no comércio pode prejudicar o crescimento económico", principalmente numa altura em que o financiamento da USAID para infraestruturas, cuidados de saúde e programas humanitários "pode estar a faltar, num contexto de fragmentação política da região e ameaças de segurança devido aos conflitos armados no Sahel", e com a posição do Governo norte-americano "a criar incerteza sobre os acordos bilaterais ao abrigo do AGOA, que expira em setembro deste ano".

Apesar destas dificuldades, este grupo de países criado em 1994 e composto por Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo "vai, em média, superar os seus pares até 2027", e o Senegal é o único dos países com 'rating' que tem uma avaliação negativa sobre a perspetiva de evolução da economia, e por razões internas.

"Acreditamos que a UEMOA como um todo vai continuar a registar um desempenho económico forte entre 2025 e 2027, depois de ter crescido 5,3% em 2023 e 6,5% em 2024, com a inflação a descer para 2,9%, o que compara com os 7,4% de 2022", e com a média de 4,3% esperada para a África subsaariana entre 2025 e 2027, apontam os analistas, lembrando ainda que as reservas em moeda externa "cresceram substancialmente nos últimos meses", sendo suficientes, em dezembro do ano passado, para sustentar 4,7 meses de importações.

Promulgada em 2000, a lei AGOA, que beneficia cerca de 30 países subsarianos, tem de ser renovada em setembro e muitos interrogam-se sobre o seu destino após a reviravolta na política comercial iniciada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o seu regresso à Casa Branca, que incluiu também uma suspensão do financiamento da USAID, que gere um orçamento anual de 42,8 mil milhões de dólares (39,5 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual), representando 42% da ajuda humanitária desembolsada em todo o mundo.

A S&P opina sobre a qualidade do crédito de cinco países desta comunidade, não emitindo 'ratings' (classificação de risco) sobre a Guiné-Bissau, Níger e Mali.

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