Qual o impacto? Oito pontos sobre as tarifas de Trump (que arrancam hoje)

Donald Trump alegou que a estratégia é proteger a indústria norte-americana e corrigir desequilíbrios comerciais, cumprindo promessas eleitorais.

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Notícias ao Minuto com Lusa
02/04/2025 08:32 ‧ ontem por Notícias ao Minuto com Lusa

Economia

comércio internacional

A imposição de novas tarifas pelo Presidente dos Estados Unidos, anunciada para esta quarta-feira, está a gerar ondas de choque na economia global, enquanto parceiros e adversários comerciais prepararam resposta perante as incertezas da guerra comercial.

 

Afinal, o que se espera deste pacote de medidas? Qual será o impacto? Na Europa, as medidas de Trump ameaçam sobretudo o setor automóvel, que se prepara para um novo ambiente de declarada guerra comercial.

1. Anúncios e Incertezas

Donald Trump prometeu ser "gentil" nesta fase inicial da guerra comercial, deixando a entender que as tarifas serão mais baixas do que as praticadas por outros países, mas a falta de pormenores está a intensificar a apreensão de parceiros e adversários comerciais.

2. A justificação do Governo dos EUA

Trump argumentou que outros países "têm-se aproveitado" dos EUA, sendo as tarifas uma forma de promover um "renascer da América" e compensar o défice comercial.

O Presidente norte-americano alegou que as importações elevadas demonstram uma falta de reciprocidade por parte dos parceiros comerciais, prometendo usar as receitas alfandegárias para reduzir o défice orçamental.

3. Reações e retaliações

Vários parceiros económicos dos EUA estão a preparar contramedidas.

A União Europeia (UE) anunciou ter preparado um "plano sólido" para retaliar se necessário. Taiwan analisou diversos cenários de taxas alfandegárias (10% e 25%) para definir as respostas adequadas. China e Canadá já impuseram tarifas sobre produtos norte-americanos.

O chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel, alinhou pela posição de Bruxelas e defendeu que a resposta deve ser "inteligente e calibrada", admitindo que em alguns setores deve ser dura e noutros deve ser mais moderada, para impedir uma escalada.

4. Setor automóvel em alerta

Uma das medidas mais temidas na UE é a possível imposição de 25% de taxas adicionais sobre automóveis fabricados no estrangeiro, bem como componentes automóveis.

Este setor, particularmente na Alemanha, já enfrenta desafios como a queda da procura na China e o aumento de custos.

A imposição de tarifas pode levar à perda de cerca de 300.000 empregos na indústria automóvel alemã e reduzir a rentabilidade de grandes grupos como Volkswagen, Mercedes-Benz e BMW.

Apesar de terem unidades de produção nos EUA (onde empregam 138.000 pessoas), as exportações alemãs para os EUA são significativas (36,8 mil milhões de euros em 2024) e serão diretamente afetadas.

Empresas como a Mercedes-Benz e a Volkswagen admitiram que terão de se adaptar à nova situação.

5. Estratégias de apaziguamento

Alguns países estão a tentar evitar as tarifas através de medidas de apaziguamento.

O Vietname, por exemplo, reduziu os direitos alfandegários sobre alguns bens oriundos dos Estados Unidos, enquanto o Japão criou gabinetes de consulta para ajudar as empresas exportadoras a lidar com esta anunciada guerra comercial.

O vizinho México também contactou os EUA para manter o tratado de livre-comércio da América do Norte.

6. Reações de mercados bolsistas

A incerteza em torno das tarifas já causou instabilidade nos mercados financeiros, com as bolsas asiáticas e europeias a registarem quedas acentuadas.

Apesar de uma ligeira recuperação nos últimos dias, os investidores permanecem cautelosos e focados na gestão de risco.

7. Reforço de alianças estratégicas

Perante a postura protecionista de Washington, alguns países estão a procurar fortalecer laços económicos entre si.

A China, o Japão e a Coreia do Sul pretendem acelerar as negociações para um acordo de livre-comércio e responsáveis europeus também manifestaram a vontade de estreitar as relações entre a UE e o Canadá.

8. Riscos de escalada

Uma das principais preocupações de aliados e adversários comerciais dos Estados Unidos é o risco de uma escalada da guerra comercial, sobretudo depois de Trump ter aumentado tarifas em áreas onde já tinham sido impostas anteriormente, algumas ainda durante o primeiro mandato (2017-2021).

Leia Também: Advogados de Trump assumem erro na deportação de imigrante legal para prisão

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