"É muito importante que estejamos abertos para as oportunidades que nos surgem, que não nos fechemos. Façamos o contrário do que muitas políticas económicas hoje dizem que é bom, [porque] não é: é mau", afirmou Mário Centeno, no lançamento de materiais de literacia financeira, iniciativa conjunta do BdP e do Banco de Cabo Verde (BCV), com a organização não-governamental Mundu Nôbu (em crioulo, que significa Mundo Novo).
"Economias pequenas e abertas como Cabo Verde e Portugal sabem disso muito bem e está nas nossas mãos aproveitar essa abertura, esse mundo global que vamos construindo e que tem aqui uma dimensão financeira muito grande", declarou.
Os livros e folhetos vão ser distribuídos nas escolas e junto da população do arquipélago e têm a particularidade de ser os primeiros dedicados à literacia financeira, escritos em crioulo, língua cabo-verdiana.
São peças importantes para o desenvolvimento, considerou o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, para quem são necessárias mais formas de literacia.
"Ia juntar, além desta literacia [financeira], uma literacia pedagógica, atenta a fenómenos que hoje estão a acontecer no mundo, que mexem com as pessoas, arrastam multidões [com] consequências que depois são para todos", disse.
"Esta é a parte mais política, mas a política e a economia andam juntas", acrescentou.
Mário Centeno iniciou hoje uma visita de três dias a Cabo Verde, arquipélago que conhece desde o início da carreira como economista, referiu.
O governador do BdP participa hoje na distribuição de exemplares dos materiais de literacia na Praia, no novo Liceu Cónego Jacinto, onde dará uma aula de economia a alunos do 11.º ano de escolaridade.
A agenda de Mário Centeno inclui eventos semelhantes no Liceu Ludgero Lima, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, na sexta-feira, e no Liceu de Coculi, na ilha de Santo Antão, no sábado.
"Trata-se de reforçar uma dimensão muito importante das nossas vidas e do dia-a-dia", indicou, tanto mais que o BdP tem "uma relação única com o BCV", a mais intensa entre o BdP e outros bancos centrais, motivo de "orgulho e avaliação muito positiva".
Há "sucesso" na cooperação e em entendimentos como o acordo cambial, estabelecido em 1998 e através do qual o escudo cabo-verdiano tem paridade com o euro, referiu.
"O acordo cambial que temos permitiu a ancoragem de muitas variáveis importantes para a vida das pessoas", como a inflação e outros fatores externos, apontou.
Mário Centeno elogiou "a capacidade que Cabo Verde tem tido, de uma economia pequena se poder projetar com níveis de estabilidade" que não se observam "em muitos sítios".
"Os acordos são possíveis de aprofundar, mas não acho que tenhamos, neste momento, necessidade de olhar para aspetos muito específicos do acordo cambial: é apenas geri-lo e desenvolve-lo", acrescentou.
O acordo cambial de 1998 foi "um momento marcante" e continua a ser, disse o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.
"Tem sido um fator determinante de estabilidade e confiança da economia cabo-verdiana: deixámos de ter aqueles fenómenos que existam antes" de variações cambiais que obrigavam a cálculos e previsão de riscos.
"A previsibilidade das operações comerciais e de investimento com a Europa ganhou um impulso diferente", a par de uma relação com Portugal "que é excelente e com tendência para se reforçar cada vez mais", concluiu.
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