De acordo com projeções dos meios de comunicação social, Crawford derrotou na terça-feira o candidato conservador, o juiz Brad Schimel, que na reta final da campanha recebeu o apoio de Trump e de Musk, um dos principais conselheiros da Casa Branca.
O Supremo Tribunal do Wisconsin é atualmente composto por quatro juízes progressistas e três conservadores, pelo que a eleição de Crawford, para um mandato de 10 anos, manterá a maioria progressista.
O resultado é um golpe para Musk, o homem mais rico do mundo, que está atualmente envolvido num processo na justiça do Wisconsin sobre uma lei que proíbe os fabricantes de veículos de terem os seus próprios concessionários e exige que outros vendam os seus veículos.
Musk e dois grupos políticos que ele patrocina terão gastado mais de 20 milhões de dólares (18,5 milhões de euros) na campanha do juiz conservador, com base numa contagem da organização não-governamental Brennan Center for Justice.
Por seu lado, Crawford beneficiou de cerca de dois milhões de dólares (1,85 milhões de euros) concedidos ao Partido Democrata por organizações ligadas a instituições milionárias próximas do filantropo George Soros e do governador do estado de Illinois, JB Pritzker, também ele um bilionário.
Quase 100 milhões de dólares (92,6 milhões de euros) foram gastos na corrida eleitoral, de acordo com o Brennan Center for Justice.
Isso é quase o dobro do recorde anterior, cerca de 50 milhões de dólares (46,3 milhões de euros), para uma corrida judicial, no estado de Wisconsin em 2023, quando o controlo do Supremo Tribunal também estava em jogo.
Tradicionalmente, as corridas eleitorais para os tribunais mobilizam poucos recursos financeiros nos Estados Unidos, mas nos últimos anos a tentativa de controlo por parte dos republicanos fez subir os gastos.
As eleições judiciais no Wisconsin, estado que votou a favor de Trump nas presidenciais de novembro, foram vistas como um referendo sobre os primeiros meses do republicano no cargo e a enorme influência de Musk na Casa Branca.
A votação ocorreu num momento em que o Supremo Tribunal do Wisconsin irá decidir sobre o direito ao aborto, que o estado autoriza até às 20 semanas de gestação, e os direitos das pessoas transgénero.
Susan Crawford é uma antiga advogada que lutou pelo direito ao aborto, para proteger os sindicatos e contra restrições à participação em eleições.
Até domingo, o último dia de votação antecipada, pelo menos 644.800 pessoas já tinham votado, com base numa contagem feita pela Comissão Eleitoral de Wisconsin.
Os números revelavam um crescimento de 57%, cerca de mais 235 mil votos relativamente às eleições judiciais de 2023.
Leia Também: EUA acusam China de ameaçar segurança com exercícios em torno de Taiwan