"Estamos quase certos de que teremos de facto efeitos recessivos na produção", acrescentou Sophie Primas à emissora RTL, manifestando especial preocupação com um impacto acentuado no sector dos vinhos e bebidas espirituosas.
Após a decisão dos EUA, a UE está a preparar "uma primeira resposta que entrará em vigor em meados de abril, que corresponderá ao seu primeiro ataque ao alumínio e ao aço", explicou Primas.
"E depois há uma segunda ronda de resposta que provavelmente estará pronta até ao final de abril para todos os produtos e serviços", acrescentou.
Neste momento, esta segunda resposta está "a ser negociada entre os países membros da União Europeia", disse a porta-voz.
"Mas também vamos atacar os serviços. Por exemplo, os serviços digitais, que atualmente não são taxados e poderiam ser", insistiu.
A resposta poderia também dizer respeito ao "acesso aos nossos mercados públicos", indicou Primas.
"Temos agora uma gama completa de ferramentas e estamos prontos para esta guerra comercial", garantiu.
O Presidente francês Emmanuel Macron vai reunir-se no Palácio do Eliseu, hoje, com representantes dos setores afetados pelas medidas tarifárias.
"A primeira coisa é fazermos um balanço e prever quais serão os ataques e os seus efeitos em todos os setores. Depois, veremos como podemos apoiar as nossas indústrias de produção", disse Primas.
"Podemos ver claramente que todos os mercados de exportação, particularmente para vinhos e bebidas espirituosas, estão a fechar. Teremos, portanto, de apoiar a nossa produção europeia", disse.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quarta-feira a imposição de "tarifas recíprocas" sobre importações, incluindo de 25 por cento sobre todos os automóveis estrangeiros.
Donald Trump "pensa que é o dono do mundo (...) É uma postura imperialista que nos tínhamos esquecido um pouco, mas que está a regressar com muita força e determinação", denunciou Primas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje que o bloco está "pronto para responder" às tarifas dos Estados Unidos e está a trabalhar em novas medidas de retaliação.
"Já estamos a finalizar o primeiro pacote de contramedidas em resposta às tarifas do aço e estamos agora a preparar outras medidas para proteger os nossos interesses e negócios, se as negociações falharem", disse a dirigente.
Os países da UE passam a pagar 20 por cento de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais que a Administração Trump estima que os produtos norte-americanos enfrentam no acesso aos mercados europeus.
"Pensamos que a União Europeia é muito amigável, mas eles roubam-nos. É muito triste ver isso. É tão patético; [taxam produtos dos EUA a] 39%, nós vamos cobrar-lhes 20%", afirmou Trump.
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