Numa decisão escrita, o juiz distrital dos EUA Michael Farbiarz, de Newark, disse que a jurisdição sobre o caso deveria permanecer em Nova Jérsia, uma vez que era neste estado que Khalil estava detido quando o seu advogado apresentou pedido de Habeas Corpus.
O juiz descreveu o argumento do governo como "pouco convincente".
A decisão não garante que Khalil, que tem estatuto de residente permanente nos Estados Unidos, seja retirado do centro de detenção no Louisiana onde está detido enquanto o governo procura deportá-lo pelo seu papel nos protestos no campus de Columbia, em Nova Iorque, contra Israel.
Mas a decisão permitirá que os seus advogados apresentem perante um juiz em Nova Jérsia os argumentos a favor da libertação.
Se o caso fosse levado avante no Louisiana, poderia acabar num dos tribunais de recurso mais conservadores do país, permitindo possivelmente que estes juízes emitissem uma decisão que criaria um precedente tanto no caso de Khalil como nos esforços mais amplos da administração Trump para deportar estudantes ativistas sem cidadania norte-americana.
O caso de Mahmoud Khalil, que liderou protestos na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, é o mais debatido entre centenas de detenções no âmbito de uma repressão do ativismo anti-Israel nos 'campus' universitários.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, informou na semana passada que os EUA revogaram os vistos a mais de 300 manifestantes pró-Palestina, que apelidou de "maluquinhos".
"Talvez mais de 300 neste momento. Fazemos isso todos os dias, cada vez que encontro um destes 'maluquinhos'", disse Rubio, quando foi questionado sobre o número de revogações de vistos a universitários acusados de ativismo pró-palestiniano.
"Em algum momento, espero que isto chegue ao fim, porque vamos livrar-nos deles", acrescentou Rubio.
Durante a campanha presidencial, o candidato republicano Donald Trump criticou os protestos contra os bombardeamentos israelitas em Gaza e ao apoio do governo do democrata Joe Biden a Israel, sendo também severo em relação às universidades onde essas manifestações se realizavam.
Num novo caso na Universidade de Tufts, em Massachusetts, os agentes da imigração detiveram uma estudante de doutoramento turca, Rumeysa Ozturk, que tinha escrito um artigo de opinião num jornal universitário a pedir à sua escola que reconhecesse o "genocídio" contra os palestinianos.
A congressista democrata Ayanna Pressley, do Massachusetts, acusou o Governo de Trump de tentar "tirar o estatuto legal aos estudantes".
O Governo respondeu que as proteções constitucionais dos EUA para a liberdade de expressão não se aplicavam a cidadãos não americanos e acusou os ativistas estudantis de criarem uma atmosfera perigosa para os estudantes judeus.
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