Tarifas de Trump piores para países "vulneráveis e pobres"

A secretária-geral da Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), Rebeca Grynspan, afirmou esta noite que as tarifas anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, atingirão com mais força os países "vulneráveis e pobres".

Notícia

© Kike Rincon/Europa Press via Getty Images

Lusa
05/04/2025 06:15 ‧ há 8 horas por Lusa

Economia

UNCTAD

Em comunicado, a UNCTAD sublinha que dos quase 200 parceiros comerciais dos Estados Unidos, apenas dez geram quase 90% do seu défice comercial, quando as tarifas abrangem os países menos desenvolvidos e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento --- responsáveis por apenas 1,6% e 0,4%, do défice dos EUA, respetivamente.

 

Estes países pobres "não contribuirão para o reequilíbrio do défice comercial nem para gerar receitas significativas", sublinha a UNCTAD.

"Muitas economias de baixo rendimento estão agora a enfrentar uma 'tempestade perfeita' de condições externas em deterioração, níveis de dívida insustentáveis e desaceleração do crescimento interno", acrescentou a agência da ONU.

De uma forma mais geral, a UNCTAD alerta para consequências negativas para a economia global.

"Numa economia global de crescimento lento e altamente endividada, as tarifas mais elevadas correm o risco de enfraquecer os investimentos e os fluxos comerciais, acrescentando incerteza a um ambiente já frágil", continuou a declaração.

"Isto pode minar a confiança, abrandar os investimentos e ameaçar os ganhos de desenvolvimento, especialmente nas economias mais vulneráveis", acrescentou a UNCTAD.

No comunicado, Grynspan defende que "este é o momento de cooperação, não de escalada".

"As regras do comércio global devem evoluir para enfrentar os desafios atuais, mas devem fazê-lo tendo em mente a previsibilidade e o desenvolvimento, para proteger os mais vulneráveis", sustenta a secretária-geral da UNCTAD.

A ONU admitiu hoje preocupação face ao impacto das tarifas norte-americanas nos países mais vulneráveis, mas também no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela Assembleia-Geral das Nações Unidas.   

"A nossa preocupação agora é com os países mais vulneráveis, que são os menos preparados para lidar com a situação atual", disse o porta-voz do Secretariado da ONU, Stéphane Dujarric, ao ser questionado sobre as guerras tarifárias em vigor.  

Dujarric indicou que a posição do líder da ONU, António Guterres, é que "numa guerra comercial, ninguém ganha".  

Na quarta-feira, num dia que apelidou de "dia da libertação", Trump impôs uma tarifa mínima de 10% sobre as importações de 184 países e territórios, incluindo a União Europeia.  

No caso da China, Trump anunciou uma tarifa de 34%, somando-se aos 20% já em vigor, elevando o total para 54%.  

Entre as nações com as tarifas mais elevadas anunciadas por Washington estão algumas com os rendimentos mais baixos do mundo, como o Lesoto, o Camboja, o Laos, Madagáscar e Myanmar (antiga Birmânia), com novas tarifas superiores a 45%.  

As elevadas tarifas desencadearam uma queda nos mercados do dólar, do petróleo e das ações em todo o mundo, com os mercados financeiros a anteciparem um declínio no crescimento e no comércio global.  

A China anunciou hoje que vai impor uma tarifa de 34% sobre as importações de todos os produtos dos Estados Unidos a partir da próxima quinta-feira, de 10 de abril.

A nova tarifa corresponde à taxa da tarifa "recíproca" dos EUA imposta pelo Presidente Donald Trump esta semana.

O Ministério do Comércio em Pequim disse também, em comunicado citado pela AP, que vai impor mais controlos de exportação de terras raras, que são materiais utilizados em produtos de alta tecnologia, como semicondutores e baterias de veículos elétricos.

A União Europeia não anunciou quaisquer medidas de retaliação às tarifas de 20% impostas por Donald Trump, mas reiterou o seu compromisso com "negociações sérias".

Leia Também: Tarifas de Trump? "Talvez percebam o perigo de votar na ignorância"

Partilhe a notícia

Escolha do ocnsumidor 2025

Descarregue a nossa App gratuita

Nono ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online e eleito o produto do ano 2024.

* Estudo da e Netsonda, nov. e dez. 2023 produtodoano- pt.com
App androidApp iOS

Recomendados para si

Leia também

Últimas notícias


Newsletter

Receba os principais destaques todos os dias no seu email.

Mais lidas