"Tenho a certeza de que o setor alimentar fará parte, porque, como se costuma dizer, há uma vaca em cada estado dos EUA e a agricultura é muito visível politicamente. Muitos votos rurais são republicanos", afirmou o antigo chefe da Delegação da UE na Organização Mundial do Comércio (OMC) e antigo negociador principal da UE para a agricultura durante um evento em Londres.
A Comissão Europeia garantiu que irá responder no "momento oportuno" ao anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre tarifas comerciais recíprocas à UE, indicando que o bloco comunitário está "em modo de espera".
Clarke recordou o exemplo de quando a UE retaliou contra os aumentos das tarifas de aço e alumínio pelos EUA em 2018, aumentando as taxas sobre a uma série de produtos norte-americanos.
"Tivemos o cuidado de não visar quaisquer produtos alimentares essenciais para a segurança alimentar", penalizando "produtos que vinham de estados vermelhos, ou seja, estados republicanos, e que poderiam ser adquiridos noutros países, como sumo de laranja, arando, milho ou 'bourbon'", recordou.
A ideia, explicou, é infligir "o máximo de dor com o mínimo de impacto na União Europeia", identificando "produtos que não são essenciais para a segurança alimentar, que podem ser encontrados em fornecedores alternativos, mas que são emblemáticos e que causam um pouco de dor política sem grandes danos económicos".
Clarke falava durante o evento 'Taste of Europe' promovido pela Delegação da UE no Reino Unido que juntou representantes da indústria alimentar.
Após um debate com especialistas, decorreu uma prova de produtos de todos os 27 Estados-membros, tendo Portugal sido representado pela consultora Talho do Mar - Portuguese Seafood Academy.
O espaço português promoveu uma degustação de produtos do mar, nomeadamente polvo, cavala, sardinha, ovas de peixe, ovas de ouriço do mar e algas juntamente com vinhos nacionais.
"É uma oportunidade para fazer 'diplomacia alimentar', atraindo pessoas para visitar Portugal e também aproximar produtores de peixe fresco a importadores britânicos", afirmou o responsável pelo projeto, Nuno Nobre.
O consultor acredita que "a qualidade do produto português está ao mesmo nível que a do produto espanhol, italiano ou islandês" e que é importante educar o consumidor britânico sobre a variedade da oferta.
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