"Instruí o meu advogado para avançar com a competente queixa-crime", pode ler-se num comunicado enviado às redações, a título pessoal, por Filipe Araújo, em que afirma não se conformar com um ataque "vergonhoso".
Para Filipe Araújo, "a política deve pautar-se pelo respeito, pela elevação e pelo compromisso com a verdade", adiantando que não se deixará "nunca condicionar", seguindo princípios de "transparência, rigor e serviço público".
"Não cedo a ameaças, a calúnias, nem a falsos testemunhos. Na política não pode valer tudo", vincou.
Na sessão, disponível em vídeo na Internet, o eleito do PSD referiu-se a três contratos da Associação Porto Digital, "da qual a Câmara do Porto é sócia maioritária e que é presidida por Filipe Araújo", considerando que geram dúvidas sobre se "existem dinheiros municipais a ser, porventura, canalizados para propaganda eleitoral, ainda para mais considerando as pessoas envolvidas na associação".
Na Assembleia Municipal, Araújo acusou o deputado do PSD de "prestar serviços" a alguém.
"Uma intervenção reles. O senhor deputado não tem categoria para estar sentado onde está. O senhor cale-se quando eu estiver a falar. Não me dirige a palavra assim, mantenha-se calminho. Se tem dúvidas, foi eleito, ponha as dúvidas e será esclarecido. A maior parte das insinuações que aqui fez, sabe a resposta. Uma intervenção indecorosa. Se vem aqui prestar serviço a alguém, ponha essa pessoa a falar comigo, não venha aqui prestar serviços", respondeu o vice-presidente da autarquia.
Hoje, Filipe Araújo considerou que a intervenção de Rodrigo Passos na segunda-feira foi "pejada de imputações e insinuações, produzidas completamente a despropósito e à revelia da ordem de trabalhos estabelecida para a referida Assembleia".
Para o autarca, as afirmações do deputado do PSD/Porto configuraram "um vil ataque 'ad hominem', concebido com o único propósito de aviltar e lançar as mais abjetas dúvidas e suspeitas, por absolutamente infundadas", ferindo a sua "honra e consideração" e atentando contra o seu "bom nome".
Em consequência, diz que causaram "danos e prejuízos" para a sua vida "pessoal, familiar e profissional".
"Foi claro que o deputado municipal do PSD não teve qualquer intenção de esclarecer ou ser esclarecido, servindo-se, apenas, do seu espaço de intervenção, para fazer um ataque ao meu caráter e à conduta do executivo municipal", entende o vice-presidente do executivo liderado por Rui Moreira (independente).
Filipe Araújo disse ainda ter enviado na quarta-feira ao presidente da autarquia "toda a informação sobre contratos de comunicação e marketing da Associação Porto Digital através de um relatório circunstanciado sobre o assunto", bem como aos vereadores e líderes dos grupos municipais.
Na terça-feira, Rodrigo Passos revelou que iria pedir uma auditoria a contratos da Porto Digital para saber se foram usados para "propaganda" do vice-presidente da câmara, Filipe Araújo, que lamentou o "ataque de caráter".
"Nos próximos dias farei chegar um requerimento à câmara a formalizar a auditoria", disse à Lusa o deputado Rodrigo Passos, sem querer acrescentar mais dados à intervenção feita na Assembleia Municipal [AM] do Porto de segunda-feira, que Filipe Araújo classificou de "reles" e "indecorosa".
Rodrigo Passos indicou três contratos da associação, que totalizam mais de 110 mil euros, com a LPM, Comunicação, a Marquinista e a Freitas e Próspero, questionando "se é natural e razoável uma assessoria tão intensa e mediática para uma associação onde nunca existiu um investimento deste nível no passado".
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