Nesse porto, que serve de base de retaguarda para a ajuda destinada a atravessar a passagem de Rafah entre o Egito e Gaza, o Presidente francês vai encontrar-se com o pessoal das organizações não-governamentais (ONG) francesas, das Nações Unidas e do Crescente Vermelho egípcio, mas também provavelmente com "beneficiários" palestinianos da ação humanitária, precisou a mesma fonte.
O chefe de Estado francês reunir-se-á também com os gendarmes franceses (polícia militarizada) da missão EUBAM, que deverá ser destacada em Rafah.
Emmanuel Macron é esperado no Cairo no domingo à noite e manterá na segunda-feira de manhã conversações com o homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, que serão depois alargadas a vários ministros.
Do lado francês, acompanharão o Presidente os ministros dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, das Forças Armadas, Sébastien Lecornu, da Economia, Éric Lombard, da Saúde, Catherine Vautrin, da Investigação, Philippe Baptiste, e dos Transportes, Philippe Tabarot.
Está prevista a assinatura de vários acordos económicos nos setores dos transportes, da saúde e das energias renováveis, bem como de acordos entre universidades dos dois países.
O Presidente francês fará também uma visita privada ao Grande Museu Egípcio, antes da sua inauguração, agendada para julho.
Na terça-feira, Macron irá então a Al-Arich, no norte da península do Sinai, sul do Mediterrâneo, "centrado nos problemas alimentares na Faixa de Gaza", precisou o seu gabinete à imprensa.
Um novo memorando de entendimento será assinado em matéria de saúde com o Egito, que está envolvido no tratamento dos palestinianos retirados de Gaza desde o início da guerra entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas, horas após o ataque sem precedentes por este perpetrado a 07 de outubro de 2023 em território israelita.
A rutura de um cessar-fogo de 42 dias ao fim de mais de 15 meses de guerra interrompeu o encaminhamento de ajuda humanitária para o enclave palestiniano através do posto de passagem fronteiriço de Rafah, fazendo com que fossem internacionalmente repetidas as acusações a Israel de estar a usar a fome como arma de guerra contra a população civil palestiniana.
Macron afirmou desde 19 de março que o reinício dos bombardeamentos e das operações militares israelitas em Gaza, após uma primeira fase de um cessar-fogo, constituía "um retrocesso dramático".
Como o Egito é um dos países mediadores entre Israel e o Hamas, Macron vai debater com o homólogo egípcio "a urgência" de retomar o cessar-fogo, para que os habitantes de Gaza deixem de estar "sujeitos à catástrofe humanitária em que se encontram e aos ataques israelitas que ameaçam a sua segurança", e para permitir a libertação dos reféns ainda mantidos em cativeiro pelo movimento islamita, indicou a presidência francesa.
Macron abordará também com Al-Sisi o plano árabe para a reconstrução da Faixa de Gaza, que Paris apoia, mas que as autoridades francesas consideram deve ser "mais reforçado", nomeadamente em termos da "segurança" e da "governação" do enclave palestiniano.
Em junho, na ONU, o chefe de Estado francês copresidirá, com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, a uma conferência sobre a solução da coexistência pacífica de dois Estados, israelita e palestiniano, na qual França gostaria de "envolver" o Egito, disse ainda o gabinete presidencial.
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