A morte de Nadia, uma menina de cinco anos, por ingestão de comprimidos em Múrcia, Espanha, está a chocar o país à medida que surgem novas informações sobre o caso. Segundo a mãe adotiva da criança, o suspeito do crime, seu ex-companheiro, ligou-lhe no dia da morte para dizer que "ela já está no céu".
O crime ocorreu na terça-feira, quando o suspeito, um homem de 47 anos, foi buscar a criança a Llano de Brujas, em Múrcia, para passar a tarde consigo como fazia habitualmente. No entanto, pelo caminho deu-lhe "comprimidos ou substâncias entorpecentes", que acabaram por provocar a sua morte.
As autoridades suspeitam tratar-se de um caso de 'violência vicária', um conceito utilizado pelas entidades espanholas para descrever um ato violento contra crianças para provocar violência doméstica psicológica à mãe.
Esta quarta-feira, a mãe adotiva da menina, Ramona, contou durante um minuto de silêncio convocado pela Câmara Municipal de Múrcia que recebeu uma chamada do ex-companheiro a afirmar que "ela [Nadia] já está no céu".
Após receber a chamada do ex-companheiro, a mãe adotiva tentou voltar a ligar-lhe, mas este já não atendeu. Ramona decidiu então alertar os ex-sogros, que viriam a encontrar o corpo da menina na casa da família em Llano de Brujas, onde costumava passar as tardes.
O homem foi detido pelas 22h00 de terça-feira em Torrevieja, Alicante, depois de ter informado a Guardia Civil de que se encontrava nas imediações do quartel.
Ramona e o ex-companheiro, identificado como Jesús, tiveram uma relação de nove anos que terminou no verão passado. Durante esse período, a mulher disse ter sido alvo de maltratos e insultos, mas nunca denunciou o "inferno" às autoridades,
Após o fim da relação, o homem passou a perseguir e assediar a ex-companheira. "Dizia que ia matar-me, que ia queimar o meu rosto… Como não conseguiu fazer isso comigo, fez com a bebé", disse, entre lágrimas.
Ramona, de 50 anos, assumiu a guarda de Nadia pouco tempo após a menina nascer, uma vez que a mãe biológica, sua prima, não tinha condições para cuidar dela. Nessa altura Ramona já estava numa relação com Jesús, que sempre tratou a criança "muito bem, com muito carinho, como um pai exemplar".
A delegada do governo regional de Múrcia, Mariola Guevara, indicou que o caso será previsivelmente tratado como um crime de 'violência vicária', embora tal tenha de ser confirmado na investigação.
️ Estamos recabando datos del asesinato por presunta #ViolenciaVicaria de una menor en la provincia de Murcia. #NiUnaMenos
— Delegación del Gob. contra la Violencia de Género (@DelGobVG) April 2, 2025
Guevara indicou também que Ramona não fazia parte do sistema de vigilância e acompanhamento das vítimas de violência doméstica e que o detido não tinha antecedentes criminais.
A confirmar-se, Nadia será a primeira vítima de 'violência vicária' este ano.
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