Segundo a ata da reunião de política monetária realizada no início de março, "a combinação de tarifas americanas e medidas de retaliação pode gerar riscos de alta para a inflação, especialmente no curto prazo".
"Além disso, as empresas também aprenderam a aumentar os preços mais rapidamente em resposta a novos choques inflacionistas", acrescenta o documento da reunião de março.
O Conselho do BCE, que em março baixou as taxas de juro diretoras em um quarto de ponto, para 2,5%, reúne-se em 16 e 17 de abril, mas não é claro que decisão tomará desta vez, se voltará a baixar as taxas de juro ou se preferirá fazer uma pausa e mantê-las.
Nessa altura, o BCE cosniderou que um aumento significativo dos gastos com a defesa e outras despesas aumentaria os preços, o que poderia "fazer descarrilar o processo de desinflação e manter a inflação mais elevada durante mais tempo", de acordo com as atas.
Alguns membros consideraram em março que "ser cauteloso face à incerteza não é equivalente a ser gradual no ajustamento das taxas de juro". Outros apoiaram a descida das taxas de juro em março, mas apenas se evitassem comunicar que iriam baixar ainda mais as taxas ou dar referências sobre o que fariam no futuro, acrescentam as atas.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse após a reunião que um membro do conselho do BCE se absteve, o Governador do Banco Nacional da Áustria, Robert Holzmann.
As atas mostram que o conselho do BCE já tinha considerado em março que ambas as opções deveriam estar em cima da mesa na reunião de abril: uma nova descida das taxas de juro ou uma pausa.
Entretanto, Donald Trump anunciou na quarta-feira novas tarifas de 20% a produtos importados da União Europeia e que acrescem às de 25% sobre os setores automóvel, aço e alumínio.
As novas tarifas de Trump são uma tentativa de fazer crescer a indústria dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pune os países por aquilo que disse serem anos de práticas comerciais desleais, e foram impostas pelos Estados Unidos sobre todas as importações, com sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.
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