O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na quarta-feira, uma lista de várias tarifas que serão impostas aos países, uma medida que está a ser vista como um "duro golpe" para vários setores. Por cá, o ministro da Economia, Pedro Reis, já assumiu que são más notícias, e a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou mesmo que as tarifas vão "desestabilizar o mundo do comércio, tal como o conhecemos".
Também a agência de notação financeira Fitch Ratings alertou que muitos países deverão cair em recessão económica após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a imposição de "tarifas recíprocas" sobre todas as importações.
O chefe de análise económica da Fitch nos EUA disse em comunicado, na quarta-feira, que as tarifas do país sobre todas as importações ronda agora os 22%, face aos 2,5% de 2024. Esta taxa, observou Olu Sonola, foi vista pela última vez por volta de 1910 - há mais de 100 anos.
Dos vinhos aos automóveis, quais são os impactos esperados?
Empresas vinícolas europeias admitem "duro golpe"
O Comité Europeu das Empresas Vitivinícolas (CEEV) classificou como um "duro golpe" a tarifa de 20% sobre exportações da União Europeia para os EUA anunciada por Donald Trump, prevendo despedimentos e adiamento de investimentos.
A associação patronal do sector vitivinícola afirmou em comunicado que este "duro golpe para o comércio de vinho" resulta de as exportações europeias para os EUA representarem 28% do valor total das exportações de vinho da UE em 2024, ano em que os EUA continuaram a ser o maior mercado para os vinhos europeus, com um valor de 4,88 mil milhões de euros.
"As tarifas recíprocas anunciadas para os vinhos da UE vão prejudicar seriamente as empresas vinícolas europeias e gerar incerteza económica, bem como despedimentos, adiamentos de investimentos e aumentos de preços", afirmou a presidente da associação patronal do vinho, Marzia Varvaglione. "Atacar o vinho da UE só trará prejuízos para ambos os lados do Atlântico", afirmou.
"Não existe um mercado vinícola alternativo que possa compensar a perda do mercado americano", sublinhou Varvaglione.
Automóveis estrangeiros 'não se safam'
Trump anunciou a imposição de "tarifas recíprocas" sobre importações, incluindo de 25% sobre todos os automóveis estrangeiros.
"Não vai ser [reciprocidade] total... podíamos cobrar o total [de tarifas aplicadas por outros países]... vamos cobrar metade", disse Trump, que exibiu uma tabela com o nível das barreiras comerciais e não comerciais sobre produtos norte-americanos em vários países e mercados e o que Washington vai passar a cobrar a partir de quinta-feira.
As tarifas de 25% sobre os automóveis estrangeiros, que afetam em grande medida os países da UE, entraram em vigor a partir da meia noite, disse Trump no jardim da Casa Branca, com diversas bandeiras dos Estados Unidos em pano de fundo e na presença do vice-Presidente e dos principais membros do governo, incluindo os secretários de Estado e da Defesa.
Tarifas são "recíproco simpático" (diz Trump)
De acordo com a referida tabela, a China aplica tarifas de 67% sobre produtos norte-americanos e os seus produtos passam a pagar 34% para entrar nos Estados Unidos; os países da União Europeia (UE) passam a pagar 20% de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais estimadas.
Para aceder ao mercado norte-americano, os produtos do Japão passam a pagar 24%, os da Índia 26%, de Taiwan 32% e do Vietname 46%. Ao Reino Unido e Brasil passam a ser aplicados 10%, correspondentes ao aplicado aos produtos norte-americanos, disse ainda Trump.
"Chamamos a isto recíproco simpático", disse Trump, que frisou que "gostaria" de aplicar "reciprocidade total".
Os direitos aduaneiros específicos de cada país ou bloco económico, como a UE, começarão a ser aplicados a partir de 9 de abril, afirmaram à imprensa funcionários da Casa Branca.
A tarifa-base de 10% começará a ser aplicada mais cedo, no sábado, 5 de abril, segundo estas fontes citadas pela EFE.
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