Estas críticas foram feitas pelo ex-secretário de Estado dos governos liderados por António Costa no período de declarações políticas da reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República.
Tendo como base os mais recentes indicadores sobre a evolução da economia portuguesa, António Mendonça Mendes afirmou que, ao contrário das promessas do primeiro-ministro, Luís Montenegro, verificou-se que aumentou a carga fiscal sobre as empresas e sobre as famílias.
"O que antes o ainda primeiro-ministro classificava como esbulho fiscal, é hoje o resultado que o Governo da AD tem para apresentar. Até agora, ainda não ouvimos do Governo e dos responsáveis da AD um pedido de desculpa aos portugueses, porque objetivamente estiveram sempre enganados e quiseram deliberadamente enganar os portugueses", afirmou.
António Mendonça Mendes, membro do Secretariado Nacional do PS, apontou depois que "o PSD e o CDS têm para apresentar como resultado a segunda maior carga fiscal do século".
"Repito, a segunda maior carga fiscal do século", salientou, antes de se referir à questão das mudanças operadas a partir de setembro de 2024 ao nível das retenções na fonte em sede de IRS.
António Mendonça Mendes disse acreditar que, com as mudanças feitas pelo atual Governo, os reembolsos vão agora baixar de forma acentuada, ou até mesmo fazer com que parte dos contribuintes tenha de pagar para acerto de contas.
"Os portugueses começaram desde ontem [segunda-feira] a perceber que o nível de reembolso do IRS cai este ano de forma substancial face ao ano passado. Muitos contribuintes passam de receber reembolso para terem agora que pagar imposto - e é já nas próximas semanas", assinalou.
O dirigente do PS acusou a seguir o Governo de ter feito uma atualização das retenções da fonte de IRS "com um propósito a todos os níveis censurável".
"O Governo fez um truque de ilusionismo fiscal no ano passado com a revisão das tabelas de retenção na fonte. Um truque de ilusionismo com três propósitos", considerou.
De acordo com o ex-secretário de Estado socialista, o Governo quis "criar a perceção de recuperação de rendimentos dos portugueses" e, por outro lado, "induzir o consumo privado em época natalícia para apresentar um crescimento do PIB melhor no último trimestre do ano".
Como terceira razão, segundo Mendonça Mendes, o Governo pretendeu "diminuir o saldo orçamental do ano passado, procurando corroborar o embuste deste Governo segundo o qual que teria herdado contas pior do que aquelas que efetivamente herdou" do executivo de António Costa.
"É imperdoável o que fizeram aos portugueses e ao país. A conta de IRS que milhares de portugueses terão de pagar nas próximas semanas é o preço da leviandade deste Governo e que a este Governo deve ser cobrado", acrescentou.
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