Em declarações aos jornalistas antes de entregar as listas da CDU às legislativas pelo círculo eleitoral de Lisboa, no Palácio da Justiça, Paulo Raimundo frisou que a escolha de Domingos Abrantes não se deve a "uma questão de simbolismo".
O PCP teve em conta "os desenvolvimentos da situação internacional e do que se coloca no plano nacional". "Aqui estamos todos para esta reposta que é preciso, esta força de coragem e de clareza com que os portugueses contam", afirmou.
Domingos Abrantes, de 89 anos, aderiu ao PCP em 1954, passou à clandestinidade em 1956 e foi preso político durante o Estado Novo num total de onze anos: na prisão do Aljube, em 1959, em Caxias, de onde fugiu, entre 1959 e 1961 e, depois, de 1965 a 1973, no Forte de Peniche.
Após o 25 de Abril de 1974, Domingos Abrantes foi deputado do PCP à Assembleia da República de 1976 a 1995. Em 2015, foi eleito para o Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República no qual permaneceu até 2022.
As listas da CDU por Lisboa são encabeçadas pelo secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e têm como "número dois" o deputado António Filipe, à semelhança do que tinha acontecido nas legislativas de 2024.
Nas declarações aos jornalistas, Paulo Raimundo afirmou que a CDU decidiu iniciar hoje a entrega de listas às legislativas por se assinalarem os 49 anos da Constituição da República, aprovada na Assembleia da República em 02 de abril de 1976.
"Aqui estão candidatos, gente ligada à vida, ao mundo do trabalho, a vários setores, para responder àquilo que é preciso consagrar na vida de todos os dias, que é o que a Constituição consagra: o direito ao trabalho, ao salário, à pensão, à vida digna, à habitação, ao SNS, aos direitos das crianças", elencou, qualificando a caixa que continha as listas como "o 'kit' da vida melhor de que os portugueses precisam".
O secretário-geral do PCP destacou que a maioria dos cabeças de lista apresentados pela CDU aos 22 círculos eleitorais são mulheres e destacou que, na lista ao círculo eleitoral de Lisboa, a candidata mais jovem tem 19 anos e o mais velho tem 89 (Domingos Abrantes).
Paulo Raimundo afirmou que todas as listas estão empenhadas em corresponder às expectativas de inclusão e renovação, destacando que o objetivo, apesar do tempo limitado, foi "aumentar o número de mulheres nas listas" e proporcionar mais espaço para os jovens.
Questionado se, nestas legislativas, tal como nas do ano passado, a CDU volta a estabelecer a referência de recuperar os 12 deputados que perdeu nas eleições de 2022, Paulo Raimundo respondeu: "Passou um ano, o ponto de partida não é esse, o ponto de partida é outro".
"Mas nós estamos muito confiantes pela ligação que temos [com as pessoas] e pelo confronto que tivemos com este Governo durante este ano", disse.
Interrogado, contudo, se a CDU não tenciona estabelecer uma meta eleitoral, o secretário-geral do PCP ironizou que "o futuro a Deus pertence".
"Sem brincadeiras, o nosso povo tem nas suas mãos a decisão sobre o futuro. Não é indiferente para a vida de cada um se a CDU tem mais ou menos força, mais ou menos votos, ou mais ou menos deputados. É a história que demonstra isso. Portanto, agora cada um, em função disso, determinará", referiu.
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