Os pais foram informados no início de janeiro que a instituição, onde trabalham cerca de 30 pessoas, propriedade da Fundação Imaculada Conceição da Congregação das Irmãs Doroteias, vai fechar em agosto e lamentam que ainda não tenham resposta a uma solução alternativa.
A empurrar um carrinho de bebé e com um girassol na mão, João Pereira, 39 anos, considerou que o edifício de Bolinha de Neve, propriedade do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS), devoluto há seis anos, "é a solução que parece ser mais viável", para acolher não apenas as crianças e os funcionários, como as crianças do concelho sem vaga nos infantários.
Pai de três filhos, estranha que a resposta esteja "encravada" e manifestou o desejo de que a mobilização da população, a que se juntaram representantes de vários partidos, contribua para "o desbloqueio" da situação.
Na manifestação em que participaram crianças e pessoas de todas as faixas etárias, em que se cantou e gritaram palavras de ordem no percurso que saiu do Colégio das Freiras, passou pelo Bolinha de Neve e terminou em frente à Câmara da Covilhã, outra mãe, Madalena Fazenda, 43 anos, manifestou a apreensão das famílias com a ausência de alternativas.
"Este é o espaço que consegue acolher todas as crianças e tem espaço para mais. Os pais não podem deixar de trabalhar para ficarem com as crianças", acentuou.
A porta-voz da Comissão de Pais, Ana Andrade, adiantou que na sexta-feira técnicos do município, da Segurança Social e representantes dos pais fizeram uma vistoria ao edifício para perceber que obras são necessárias e acrescentou que aguardam uma resposta do IGFSS.
Segundo Ana Andrade, a solução mais rápida para resolver o problema passa pela proposta apresentada pelos pais de ser uma outra Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) do concelho, o Centro Social Jesus Maria José, a gerir o equipamento.
"Esta solução depende agora do parecer favorável do IGFSS, tendo a tutela manifestado disponibilidade para avançar, desde que os acordos diretos sejam formalizados com brevidade", acrescentou a porta-voz.
Presente na marcha, o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, sublinhou que, embora não seja "uma obrigação camarária", o município tem procurado encontrar uma resposta e explicou que o que está em cima da mesa, depois de outra alternativa ter sido descartada, é que o IGFSS "ceda o edifício a título gratuito" e a autarquia, no distrito de Castelo Branco, pague as obras necessárias, "de algum vulto".
"Estamos à espera dessa solução e a lutar por ela, sendo certo que a Câmara Municipal se disponibiliza a custear, a pagar as obras de adaptação, as obras necessárias", garantiu o autarca, que afirmou que a gestão "é indiferente", embora tenha acrescentado que preferia que "fosse uma resposta pública", que fosse ao encontro dessa carência no concelho.
Questionado sobre os prazos, Vítor Pereira adiantou que está a ser tentada, junto da Segurança Social, que seja emitida uma licença que permita o funcionamento para "acomodar as valências mais urgentes" e que as obras sejam feitas "por fases", salvaguardando a "comodidade e segurança" das crianças.
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