"A direção do CES e o investigador Bruno Sena Martins decidiram, esta sexta-feira [hoje], terminar, por mútuo acordo, a relação laboral existente e o vínculo entre o investigador associado e a instituição, com efeito imediato", informou.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a direção do CES esclareceu que as duas partes entenderam "não estarem reunidas as condições adequadas para a continuação do seu trabalho de investigação de uma forma serena e produtiva".
"A direção do CES continua a reconhecer como válidas e relevantes as conclusões e recomendações contidas no relatório da Comissão Independente, estando comprometida com o desenvolvimento e implementação de uma política eficaz de prevenção e combate a todas as formas de assédio e abuso", acrescentou.
Esta decisão foi anunciada poucas semanas depois da direção do CES ter informado que um inquérito não encontrou fundamento para abrir processo disciplinar ao investigador Bruno Sena Martins, visado num capítulo de um livro com denúncias de assédio na academia.
"Na sequência do encerramento do processo prévio de inquérito que não resultou na abertura de quaisquer processos disciplinares, o investigador Bruno Sena Martins levantou a suspensão do exercício de cargos de responsabilidade e/ou representação institucional, que havia sido solicitada pelo próprio em abril de 2023", divulgou na altura o CES de Coimbra.
Três investigadoras que passaram pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade (CES) de Coimbra denunciaram situações de assédio num capítulo do livro intitulado 'Má conduta sexual na Academia - Para uma Ética de Cuidado na Universidade', o que levou a que os investigadores Boaventura de Sousa Santos e Bruno Sena Martins ficassem suspensos de todos os cargos que ocupavam no CES, em abril de 2023.
O CES acabou por criar, uns meses depois, uma comissão independente para averiguar as denúncias, tendo divulgado o seu relatório quase um ano depois, em 13 de março de 2024, que confirmou a existência de padrões de conduta de abuso de poder e assédio, por parte de pessoas em posições hierarquicamente superiores, sem especificar nomes.
De acordo com o relatório então divulgado à comissão independente, foram denunciadas 14 pessoas, por 32 denunciantes, num total de 78 denúncias.
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