Nos 191 exames realizados no ano passado, o Grande Colégio Universal alcançou uma média de 16,51 (numa escala de zero a 20), sendo a média das notas internas 17,05.
O diretor pedagógico do colégio, Rui Brito, disse à Lusa que se recorda de anos em que "tiveram uma média melhor", admitindo, sobre a classificação agora conhecida, que "já em julho de 2024 tiveram a noção de que os alunos tinham atingido, grosso modo, os resultados que se tinham proposto".
Atualmente com 950 alunos, desde o pré-escolar até ao 12.º ano, o colégio tem "alunos de diversas nacionalidades", sublinhando o diretor que "são cada vez mais", num percurso de 115 anos em que abriu as portas a "vários alunos que viriam a tornar-se em personalidades da cidade e do país, como foi o caso do antigo cineasta Manoel de Oliveira". Manoel de Oliveira nasceu em 1908, no Porto, e morreu aos 106 anos, na sua cidade natal, em 2015, sendo à época o mais velho realizador do mundo em atividade.
Questionado se a distinção de melhor escola do país em 2024 irá implicar nos preços para o próximo ano letivo, sendo que um aluno do Ensino Secundário terá de pagar 4.500 euros/ano, Rui Brito negou, respondendo que "não tem nada a ver com a questão de se ficar em primeiro, segundo ou terceiro", mas sim "porque tudo aumenta".
Nesta escola, não há direções de turma, mas o cargo de coordenador de ano. O professor Nuno Maio acumula essa função com as aulas de Biologia e Geologia e acredita que essa opção privilegia "um ensino de muita proximidade em relação aos alunos", mas também agiliza o processo de "solução dos casos mais complicados".
"Conhecemos os alunos desde o 5.º ano até o 12.º ano e até, alguns deles, desde o pré-escolar, primeiro ciclo, até ao 12.º ano, e por isso essa longevidade deles cá permite-nos conhecer bastante bem as suas características particulares, conhecer também muito bem o seu contexto familiar, o contexto social, e isso aí é fundamental para que consigamos estar constantemente a redefinir estratégias, a pensar em soluções que vão mais ao encontro das necessidades dos alunos", explicou.
Este modelo existe há mais de 10 anos.
Leonor Lima, a frequentar o 12º ano, é aluna do colégio há cerca de oito anos e, na conversa com a Lusa, falou de um projeto "muito inclusivo, [que] apoia todas as pessoas individualmente", salientando que encontrou no estabelecimento a resposta para a ansiedade dos pais sobre o seu desempenho escolar "de modo a ter os melhores resultados nos exames".
"Nós temos turmas bastante pequenas, relativamente a outras escolas, o que nos permite ser mais familiarizados. Eu ando com os meus colegas, neste momento no 12.º ano, desde o 5.º ano, conhecemo-nos perfeitamente e tentamos apoiar-nos o máximo que podemos", acrescentou.
Sobre a oferta extracurricular, que vai do desporto à cultura, Leonor falou de um processo que lhes "permite ganhar competências" ajudando-os a "sair da caixa e a ser as pessoas" que pretendem ser.
Matilde Martins terminou em setembro o 12.º ano no colégio e foi "uma das alunas que mais contribuiu para a média" vencedora, segundo Rui Brito, tendo relatado à Lusa o ambiente e o facto de o colégio funcionar como uma "segunda família", mas onde as regras fazem parte do objetivo final.
Questionada se os telemóveis "entram" nas salas de aula do colégio, a agora estudante do Ensino Superior, confirmou que isso "nunca foi um tema problemático", que os aparelhos são guardados e silenciados antes de entrarem nas salas.
"Temos todo tipo de ferramentas tecnológicas, mas não usávamos o telemóvel nas aulas", disse.
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