"Não é questão económica, de emprego, de habitação, linguística. E os dois únicos [fatores] que ocorrem agora (...), primeiro, é o desconhecimento relativo da legislação portuguesa e, segundo, questões de saúde mental, depressão e ansiedade", afirmou o diplomata Alessandro Warley Candeas.
No entanto, Alessandro Candeas não vê aquelas questões como um problema dos pais, mas sim das crianças, que "sofrem isto tanto na escola como no bairro".
Sublinhando que este é um fenómeno novo também para Portugal, que não é, por tradição, um país de imigrantes, o cônsul disse não ver "dificuldade" em que o problema "possa ser corrigido ao longo do tempo", porque "há boa vontade das autoridades portuguesas e um desejo de adaptação da comunidade brasileira".
O consulado está disposto a ajudar, informando, "fazendo pontes" e aproximando as partes, frisou.
É nesse âmbito que se realiza hoje, no Espaço da Mulher Brasileira, no edifício do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, uma sessão de esclarecimento sobre a lei portuguesa no que respeita a menores.
"O nosso consulado vai começar a fazer um esforço de esclarecimento da legislação portuguesa, para os pais e para aqueles que tenham alguma inquietação em relação à guarda de menores, conselhos tutelares, como chamamos no Brasil, e legislação sobre menores, porque há diferenças", referiu o embaixador.
Na sessão de hoje, agendada para as 15:30, o consultor jurídico do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa apresentará esclarecimentos sobre a lei de proteção de jovens e crianças em Portugal, podendo ser colocadas perguntas e dúvidas em https://www.instagram.com/p/DH3T3aRs5PO/?igsh=MWQyMm16cmYzeDhyZw==
Alessandro Candeas disse esperar com esta ação atingir milhares de brasileiros.
"Essa é uma agenda muito sensível, muito delicada, com muita repercussão na própria imprensa e muita visibilidade na comunidade brasileira e preocupa a comunidade brasileira", afirmou, quando questionado pela Lusa sobre os vários casos que têm vindo a público em Portugal de crianças brasileiras retiradas aos pais por serem sinalizadas pela CPCJ, ou de violência nas escolas contra estes jovens imigrantes.
Para o cônsul, "há um receio da comunidade brasileira de que isso possa representar um aumento que continue persistente".
Contudo, o Cônsul-Geral do Brasil desdramatizou, realçando que estes problemas resultam de "um processo de adaptação, talvez dos dois lados, dos que chegam, como os brasileiros, como dos que recebem, os portugueses" e sublinhou que tem "boas perspetivas" para a solução do problema.
"[Para isso], nós precisamos aproximar as lideranças, as entidades, os indivíduos e de conhecer melhor os casos, a legislação, o quadro institucional, a cultura (...), aproximar os autores, e as soluções vão ser propostas dentro dessa dinâmica de diálogo", concluiu.
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