Líder sérvio da Bósnia proibido de entrar na Alemanha e na Áustria

A Alemanha e a Áustria anunciaram hoje a intenção de proibir a entrada nos respetivos territórios do presidente da Republika Srpska (RS), Milorad Dodik, e de outros dois políticos da entidade sérvia da Bósnia.

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Lusa
03/04/2025 19:27 ‧ ontem por Lusa

Mundo

Bósnia-Herzegovina

Além da proibição de Dodik, os dois países europeus também pretendem negar a entrada de dois outros políticos separatistas, Nenad Stevandic e Radovan Viskovic.

 

Na sequência de uma reunião realizada em Sarajevo, capital da Bósnia, a chefe da diplomacia austríaca, Beate Meinl-Reisinger, e a secretária de Estado alemã para a Europa, Anna Lührmann, anunciaram num comunicado de imprensa conjunto "medidas destinadas a impedir a entrada futura na Áustria e na Alemanha de três personalidades políticas da RS".

Segundo o comunicado, as decisões foram tomadas "em estreita colaboração com outros parceiros europeus", sem especificar quais e criticaram veementemente Milorad Dodik, cujas provocações, na sua opinião, prejudicam o equilíbrio na Bósnia.

"Milorad Dodik levou as suas provocações e ações secessionistas a um novo clímax e ultrapassou claramente os limites legais. Está, assim, a ameaçar a segurança, a estabilidade, a ordem constitucional e a integridade territorial dos Balcãs Ocidentais", afirmou Meinl-Reisinger, convencida de que "o futuro da Bósnia está na UE".

A chefe de diplomacia austríaca reforçou que as forças pró-europeias continuarão a apoiar ativamente "para garantir que a Bósnia se torne membro da UE".

"A Bósnia-Herzegovina é um país que tem um futuro europeu, mas não pode ser obstruído por alguns políticos", disse ainda.

E Anna Lührmann acrescentou: "A porta da UE nunca esteve tão aberta, apelamos a todos os responsáveis para que retomem o caminho da reforma da UE e possam dar os próximos passos".

Dodik disse na quarta-feira que a Interpol tinha rejeitado o pedido da Bósnia-Herzegovina para emitir um mandado de prisão internacional contra si, ao regressar de um encontro com o Presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo.

Dodik escreveu na rede social X que recebeu um telefonema do Presidente da Sérvia, o nacional-populista Aleksandar Vucic, que o informou que o recurso da Sérvia tinha sido aceite e que a Interpol tinha, portanto, recusado emitir o mandado de captura.

A Sérvia, país de que Dodik também é nacional, enviou uma "nota de protesto" à Interpol, pedindo a rejeição do pedido do tribunal bósnio.

"Obrigado ao Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, pelo seu apoio e comunicação clara com a Interpol. Obrigado também a [Viktor] Orbán [primeiro-ministro da Hungria] e aos presidentes de todos os outros países que apresentaram um recurso", disse Dodik.

Nenhum "aviso vermelho" contra Dodik estava hoje 'online' no 'site' da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), observou a agência noticiosa francesa AFP, contudo, no caso de ficheiros sensíveis ou políticos a Interpol pode levar algum tempo a sinalizá-los.

Qualquer país membro, como a Bósnia, pode solicitar à organização internacional de cooperação policial que distribua este "aviso vermelho" a outros Estados, incluindo a Rússia.

Dodik é procurado pelo Ministério Público da Bósnia no âmbito de uma investigação sobre um atentado à ordem constitucional, na sequência de uma série de ações secessionistas levadas a cabo desde o final de fevereiro pelas instituições autónomas da República Srpska.

A justiça bósnia, que deseja interrogá-lo no âmbito desta investigação, emitiu um mandado de captura nacional em 18 de março.

Com a aproximação do trigésimo aniversário dos Acordos de Dayton, que puseram fim à guerra, a Bósnia enfrenta uma grave crise política que ameaça mais do que nunca a sua unidade.

Quase três décadas após a guerra intercomunitária (1992-1995), que fez perto de 100.000 mortos e milhões de deslocados, a Bósnia é atualmente constituída por duas entidades, a República Srpska (RS) e a Federação Croata-Muçulmana, ambas amplamente autónomas e ligadas por um governo central.

Leia Também: Após visita a Moscovo, (procurado) líder separatista regressa à Bósnia

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