"Os trabalhadores responderam ao apelo da CGTP (...) Uma participação enorme, com muita força, com muita determinação, com muita garra", salientou Tiago Oliveira no final da marcha que juntou milhares de pessoas que desceram do Príncipe Real até ao Cais do Sodré, e que pretendeu "defender os serviços públicos e as funções sociais do Estado".
"Fica aqui um sinal bem demonstrado, tanto naquilo que é o confronto que temos que ter nas empresas e nos locais de trabalho, em luta por uma vida melhor, por melhores salários, pelo respeito dos direitos dos trabalhadores, com uma luta que temos que trazer para a rua, principalmente neste período que estamos agora de pré-campanha eleitoral - temos aí já, nas próximas semanas, a campanha eleitoral para o dia 18 de maio", acrescentou.
O secretário-geral da CGTP-IN desafiou os partidos concorrentes às eleições de 18 de maio a dizerem o que têm "a propor e a discutir no que diz respeito à valorização dos trabalhadores, nomeadamente no combate à precariedade, no combate à desregulação dos horários, mas também à valorização dos serviços públicos".
Antes, em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo salientou que a manifestação convocada pela CGTP-IN constituiu "mais uma grande jornada de luta" em defesa de uma "vida melhor" que os portugueses têm direito, que passa por melhores salários e pensões, para responder ao "drama do aumento do custo de vida".
Para Paulo Raimundo, o aumento dos salários em Portugal "é uma urgência e uma necessidade", criticando o Governo do PSD e do CDS-PP por fazer "propaganda como há muito não se via" e por governar "em nome dos grupos económicos".
"O Governo não frustrou as expectativas dos grupos económicos, frustrou foi as expectativas de alguns que acreditaram nele e as consequências estão à vista", lamentou o dirigente comunista.
Outro dirigente partidário presente na manifestação foi o líder do LIVRE, Rui Tavares, que considerou que os trabalhadores representados sindicalmente e os sindicatos representados numa confederação como é a CGTP "é uma das melhores garantias para lutar por bons salários, para lutar por boas condições de trabalho que revertem a favor da economia do país".
"Nós olhamos lá para fora para economias que nós invejamos, olhamos para os países escandinavos, são países nos quais a negociação coletiva tem muita força e onde os sindicatos têm uma capacidade de negociá-los junto dos patrões que é muito forte. Muitas vezes sem o Estado se meter, não é como aqui em Portugal onde no caso das empresas públicas às vezes o Estado mete-se, mas é para dizer ao Conselho de Administração que não pode negociar mais nada", acrescentou.
Por seu lado, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo defendeu que em Portugal "há razões acrescidas" para o protesto convocado pela CGTP-IN.
"Portugal é um país onde, trabalhando, não se sai da pobreza, não se consegue ter acesso a uma casa. Três, quatro milhões de portugueses ganham entre 800 e 1000 euros líquidos. E um T1, um T2, em Lisboa ou no Porto, custa mais de 1000 euros. E é essa a realidade da economia portuguesa", criticou.
Fabian Figueiredo adiantou que a economia portuguesa "tem problemas estruturantes que é preciso resolver".
"É, por um lado, uma economia que cria milionários, que cria grandes fortunas, mas, ao mesmo tempo, que enriquece um pequeno punhado de pessoas, não gera salários que permitam às pessoas garantir o mínimo. E o mínimo é o salário dar para a casa. Portanto, nós associamo-nos às centenas de pessoas que hoje saem à rua, que ocupam o seu sábado, para dizer o óbvio, o salário, a pensão, a direito à casa, a ter uma vida desafogada, tem que dar direito a conseguir conciliar a vida privada com a vida profissional", frisou.
A manifestação convocada pela CGTP-In teve como lema "Mais salário e melhores pensões - Defender os serviços públicos e as funções sociais do Estado - Segurança Social, Saúde, Educação, Habitação", sendo o protesto é dirigido ao setor público e privado.
No caderno reivindicativo, a CGTP exige um aumento salarial de, pelo menos, 15%, num mínimo de 150 euros para todos os trabalhadores, bem como o aumento do salário mínimo nacional dos atuais 870 euros para 1.000 euros.
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