O antigo ministro das Finanças Fernando Medina garantiu, esta sexta-feira, que não está de costas voltadas para o PS. Só não aceitou fazer parte das listas do partido para as próximas eleições legislativas por razões de "natureza pessoal", relacionadas com o "facto de estar há 20 anos, ininterruptamente, a ocupar cargos políticos de primeira linha", mas está "empenhado na vitória do PS, mesmo não sendo candidato".
"A política é a mais nobre das atividades e continuarei a intervir no espaço público. Entendi que este não era o momento de prosseguir e foi isso que transmiti ao líder do PS. Trabalharei na campanha pelo PS, só não sou candidato a ser deputado. Não é nenhuma decisão baseada num afastamento do PS porque, se o fosse, também o diria com clareza", esclareceu Medina, em entrevista à SIC Notícias.
Sobre os elogios que tem recebido da Direita, que está a interpretar a recusa de Medina como um sinal de divisão no PS, o socialista argumentou que "uma pessoa não pode ser criticada por se eternizar nos cargos políticos e depois ser criticada porque não os ocupa".
"Os cargos políticos ocupam-se transitoriamente, não são para a vida inteira. Na minha visão, não é razoável que uma pessoa se eternize nesses cargos. A minha decisão não penaliza em nada o PS, não me atribuo essa importância. Se está a ser usado pela Direita, está a ser usado abusivamente. Não permite a ninguém fazer a extrapolação de me colocar num lado de crítica ao PS. Estou empenhado na campanha e vitória do PS, não sendo candidato a deputado", garantiu o ex-ministro das Finanças.
Para já, vai continuar a desempenhar trabalhos relacionados com políticas públicas, na Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), onde já pertence aos quadros.
"Irei, nos próximos tempos, ter a oportunidade de alargar a participação em projetos na academia, que me aliciam muito, e veremos depois também o que o futuro reserva", afirmou.
Quanto a uma possível candidatura à liderança do PS, não está em condições de dizer "nunca sobre matéria rigorosamente nenhuma", mas vai afastar-se da vida política "agora e certamente por uns tempos".
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