"Estamos perante uma guerra comercial com consequências para o nosso país, mas por um lado diria que não se pode deixar de ter em conta que isto obriga-nos a fazer aquilo que o PCP há muito tem dito", ou seja "diversificar as nossas relações comerciais com outros países", afirmou.
O líder comunista falava aos jornalistas à margem da apresentação do cabeça de lista da CDU à Câmara de Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, Vítor Proença, nas eleições autárquicas deste ano.
Para Paulo Raimundo, além da diversificação das relações comerciais com outros países, Portugal deve também "aumentar a produção nacional" e "criar condições para o apoio aos produtores, tendo em conta setores particulares afetados por estas medidas", como é o caso do vinho, azeite, medicamentos e cortiça.
O secretário-geral do PCP lamentou igualmente "o papel de subalterno" da União Europeia nesta matéria, quando "no fim quem decide são os Estados Unidos" da América.
"Vamos ouvir agora muitas ameaças, muito isto e muito aquilo e depois no fim quem decide [são] os Estados Unidos", considerou.
E deu "um exemplo muito concreto [sobre] as armas e o efeito que a gente conhece, com milhares e milhares de mortos".
"Mas tanta coisa e depois onde é que se vai comprar essas armas todas? É aos Estados Unidos", argumentou.
Questionado sobre se Portugal deve seguir o mesmo caminho que Espanha, que hoje anunciou um pacote de ajudas às empresas para fazer face às tarifas dos EUA, o secretário-geral do PCP reforçou que "não se deve apenas apoiar as empresas", como "abrir relações comerciais com outros povos".
"Isso é que é fundamental para depois nos podermos defender, sabemos que estamos perante uma pessoa que hoje diz uma coisa e amanhã diz outra, mas não temos de estar à mercê dos humores dessa pessoa", referiu.
As novas tarifas de Trump são uma tentativa de fazer crescer a indústria dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pune os países por aquilo que disse serem anos de práticas comerciais desleais.
As novas tarifas foram impostas pelos Estados Unidos sobre todas as importações, com sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.
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