A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou os cidadãos para as burlas com criptomoedas, cujas denúncias "têm sido muito frequentemente recebidas no Ministério Público". Trata-se de uma fraude, com "métodos muito agressivos de abordagem", que começa online, através de anúncios em sites ou notícias falsas – com uma aparência semelhante à de jornais – e que atrai as vítimas recorrendo a supostos investimentos feitos por figuras públicas como Cristina Ferreira, Manuel Luís Goucha, Cristiano Ronaldo ou António Costa.
"Estas plataformas são manifestações de uma atividade criminosa organizada, de grande dimensão e natureza internacional, para a qual se alerta", avisa a PGR num comunicado divulgado na terça-feira, depois de a Polícia de Segurança Pública (PSP) também ter alertado para a questão.
Aliciam as vítimas a investir dinheiro, prometendo grande rentabilidade "sem qualquer risco financeiro associado".
Quando as pessoas clicam nos links fraudulentos é-lhes pedido um endereço de e-mail e um número de telefone.
© Reprodução Procuradoria-Geral da República
"A partir desse momento recorrem a métodos muito agressivos de abordagem, por via de contacto telefónico. Nesse contacto, supostos traders, em representação dessas supostas plataformas financeiras, usam métodos muito insidiosos de persuasão, com o intuito de convencer as vítimas a transferir quantias monetárias para supostos investimentos em criptomoedas", alerta o Ministério Público.
Primeiro, sugerem investimentos baixos, de 250 euros. Assim que esse primeiro investimento é feito, os burlões dão à vítima "códigos de acesso a uma página reservada", onde a falsa conta está a ser gerida. Nessa conta, as vítimas veem gráficos e quadros com o "suposto investimento" que representará "um grande ganho financeiro".
© Reprodução Procuradoria-Geral da República
"Estas páginas são falsas, não correspondendo a qualquer sistema financeiro ou de investimento. Na verdade, são uma 'máscara' construída exclusivamente com a finalidade de convencer as vítimas de que o seu investimento é muito proveitoso e assim poder vir a convencê-la a investir mais dinheiro", explicam.
Depois desse primeiro investimento, os criminosos intensificam as contactos telefónicos com as vítimas, convencendo-as a "investir mais dinheiro" em algo que "não existe". Assim que recebem as quantias, "não mais as devolvem" e se a vítima quiser levantar o investimento e os ganhos, "é informada de que para o efeito terá que pagar taxas legais – de valor elevado".
Antes de fazer qualquer investimento, a PGR aconselha os cidadãos a confirmarem se as entidades em que estão a investir são autorizadas pelo Banco de Portugal e registadas na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
"A lista de tais entidades está publicamente disponível para consulta. É facilmente verificável em fontes públicas e abertas se as inúmeras páginas fraudulentas identificadas na internet que anunciam estão autorizadas a fazê-lo", acrescentou a PGR.
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