A Prefeitura Marítima do Canal e do Mar do Norte disse na rede social X que os migrantes foram salvos por equipas de resgate do Centro Regional de Vigilância Operacional e Resgate (CROSS, na sigla em francês) em Gris-Nez, na sexta-feira.
Os migrantes foram levados para o porto de Boulogne-sur-Mer, onde receberam assistência dos serviços de resgate em terra.
A prefeitura acrescentou em comunicado que, inicialmente, foram resgatadas 49 pessoas e que algumas delas, ainda a bordo da embarcação, "rejeitaram a assistência oferecida pelas equipas francesas e continuaram a viagem sob vigilância".
Após o incidente, a prefeitura alertou "todos aqueles que ponderam atravessar o Canal da Mancha para os riscos envolvidos".
Num comunicado, salientou que as condições meteorológicas neste setor marítimo "costumam ser difíceis", tornando-o "um setor particularmente perigoso para embarcações precárias e sobrecarregadas".
Organizações humanitárias de apoio aos migrantes defendem a criação de canais legais para a imigração, tornando assim obsoleta a perigosa travessia do Canal, durante a qual morreram 78 pessoas em 2024, o número mais elevado desde 2018.
Na segunda-feira, numa cimeira sobre crime organizado na imigração ilegal, realizada em Londres, cerca de 40 países concordaram em reforçar a cooperação internacional, nomeadamente na implementação de medidas para impedir a publicidade nas redes sociais de grupos de tráfico humano.
O Ministério do Interior britânico adiantou, em comunicado, que as novas medidas incluem "um novo trabalho conjunto com França para combater a migração irregular nos países de origem e de trânsito, através de ações de sensibilização da comunidade".
Os britânicos queriam também discutir com a China a forma como esta pode deixar de exportar motores e outras peças usadas nos barcos de borracha utilizados para atravessar o Canal da Mancha.
Cerca de 40 países estiveram representados na chamada Cimeira sobre Criminalidade Organizada na Imigração, que foi organizada pelo Reino Unido discutir formas de combate à imigração ilegal.
O ministro do Interior francês, Bruno Retailleau, esteve presente.
A redução da imigração é uma das prioridades do Governo trabalhista que chegou ao poder em julho no Reino Unido, onde mais de 157 mil migrantes entraram ilegalmente no país nos últimos sete anos, atravessando o Canal da Mancha em pequenas embarcações.
Nos primeiros três meses do ano, registou-se um novo recorde, com mais de 6.600 chegadas.
O Governo britânico anunciou ter repatriado mais de 24 mil imigrantes ilegais desde julho de 2024, quando entrou em funções.
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