Bénédicte de Perthuis, a juíza que condenou a líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, impedindo-a de concorrer às eleições presidenciais de 2027, está sob proteção policial após receber "um grande número de mensagens com ameaças".
Segundo o jornal Politico, foram colocadas patrulhas policiais à frente da casa de Perthuis, responsável por liderar os procedimentos durante o julgamento que colocou Marine Le Pen e outras 23 pessoas no banco dos réus, na segunda-feira.
O ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, considerou que "as ameaças feitas contra os magistrados do Tribunal Judicial de Paris são inaceitáveis numa democracia e preocupantes para a independência da autoridade judicial".
Já o Procurador-Geral do Tribunal de Cassação, Rémy Heitz, considerou que "o que é inaceitável neste caso (...) são os ataques muito personalizados e as ameaças contra os magistrados".
"Não se pode, num Estado de direito, numa democracia, atacar diretamente os juízes e ameaçá-los", acrescentou um dos mais altos magistrados em França.
Marine Le Pen, líder do grupo parlamentar da União Nacional (RN, na sigla em francês), de extrema direita, foi condenada na segunda-feira pelo Tribunal de Paris a quatro anos de prisão, dois dos quais não suspensos e sujeitos a um sistema de vigilância eletrónica, a uma multa de 100.000 euros e a cinco anos de inelegibilidade, a cumprir imediatamente e aplicados mesmo em caso de recurso.
A potencial candidata presidencial da RN e oito eurodeputados franceses da União Nacional foram considerados culpados de terem desviado fundos públicos do Parlamento Europeu.
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