As medidas anunciadas por Donald Trump são "extremamente graves para a economia europeia", considerou Macron, acrescentando que representam um "choque para o comércio internacional" e "não corrigem os desequilíbrios" comerciais que possa haver em matéria de tarifas.
"O que é importante é (...) que os investimentos que estão para vir ou que foram anunciados nas últimas semanas sejam suspensos por um tempo até que tenhamos esclarecido as questões com os Estados Unidos", disse o Presidente, numa reunião, no Palácio do Eliseu, com representantes das indústrias francesas mais afetadas pela imposição destas tarifas aduaneiras, o primeiro-ministro, François Bayrou, e vários ministros.
"Qual seria a mensagem de ter grandes atores europeus a investir milhares de milhões de euros na economia americana numa altura em que estão a minar-nos?", questionou.
Macron alertou para o impacto da medida também nos EUA.
"Uma coisa é certa, com as decisões desta noite [de quarta-feira], a economia americana e os americanos, sejam empresas ou cidadãos, sairão mais fracos do que ontem, e mais pobres", declarou.
O Presidente francês apelou ainda aos europeus para que "permaneçam unidos", advertindo contra qualquer tentação de "jogar isolado".
Lembrou que a UE representa "um mercado de 450 milhões de consumidores, mais do que nos Estados Unidos".
"Vamos preparar uma resposta europeia. Nada está excluído, tudo está em cima da mesa", avisou Macron.
A tributação dos "serviços de Internet", incluindo empresas populares como a Amazon, Google e Netflix, podia estar entre as possíveis represálias europeias.
"Faremos o que for mais eficaz e proporcionado. Não estamos dispostos a ser ultrapassados. Vamos defender-nos e proteger-nos", disse.
O Presidente francês falou ainda de uma "resposta europeia" em "duas fases".
"A primeira resposta terá lugar em meados de abril e incidirá sobre as taxas já decididas, nomeadamente sobre o aço e o alumínio", afirmou.
"A segunda resposta, mais maciça, às taxas anunciadas ontem [quarta-feira], terá lugar no final do mês, após um estudo detalhado, setor por setor, e um trabalho com todos os Estados-membros e setores económicos", explicou o Presidente francês.
Donald Trump anunciou na quarta-feira novas tarifas de 20% a produtos importados da União Europeia e que acrescem às de 25% sobre os setores automóvel, aço e alumínio.
As novas tarifas de Trump são uma tentativa de fazer crescer a indústria dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pune os países por aquilo que disse serem anos de práticas comerciais desleais, e foram impostas pelos Estados Unidos sobre todas as importações, com sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.
[Notícia atualizada às 16h38]
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