Os avós maternos, o tio e a tia de Émile - o menino de dois anos e meio que desapareceu em julho de 2023 nos Alpes franceses - vão continuar sob custódia policial após terem sido detidos, na manhã de terça-feira, por suspeitas de "homicídio voluntário" e "ocultação de cadáver".
Segundo avançou a estação televisiva francesa BFMTV, esta quarta-feira, a prisão preventiva dos quatro detidos foi prolongada por um período de, no mínimo, de 24 horas.
Na manhã de terça-feira, o procurador público de Aix-en-Provence, Jean-Luc Blanchon, anunciou que "Philippe Vedovini e a sua mulher, avós de Émile Soleil, bem como dois dos seus filhos, foram detidos sob acusações de homicídio voluntário e ocultação de cadáver".
As detenções, explicou o magistrado, "fazem parte de uma fase de verificação e comparação dos elementos e informações recolhidos durante as investigações realizadas nos últimos meses".
Na origem das detenções terá estado escutas telefónicas feitas à família, onde foi possível identificar a existência de conflitos familiares.
Do desaparecimento à detenção dos familiares. O que se sabe sobre o caso?
Émile Soleil desapareceu a 8 de julho de 2023, quando tinha apenas dois anos e meio, poucas horas após a mãe, Marie, o ter deixado em casa dos avós em Haut-Vernet, nos Alpes franceses, para passar as férias de verão.
Inicialmente, os investigadores dispunham apenas do testemunho de dois vizinhos que declararam ter visto a criança à distância, a sair de casa e a caminhar sozinha por uma rua em declive.
Na altura do desaparecimento, foram feitas buscas em 97 hectares de florestas e as cerca de 30 habitações da vila foram também revistadas, com os moradores a serem interrogados pelas autoridades.
Dez dias depois, a 18 de julho de 2023, foi aberta uma "investigação judicial", que deu início a uma investigação de vários meses. Nenhuma hipótese foi excluída, embora desde o início as autoridades tenham advertido que seria muito difícil encontrá-lo vivo no caso de um desaparecimento autónomo passados os primeiros dias.
Os restos mortais de Émile viriam a ser descobertos 9 meses depois, a 30 de março de 2024, quando um caminhante encontrou alguns ossos durante uma trilha a dois quilómetros de Haut-Vernet, numa zona onde já tinham sido feitas buscas.
Dias depois, os pais de Émile, Marie e Colomban, emitiram um comunicado a "agradecer todos os que ajudaram e apoiaram" nas buscas e destacaram que era "tempo de fazer o luto".
"Marie e Colomban gostariam de agradecer a todos os que os ajudaram e apoiaram, bem como aos juízes de instrução e aos investigadores, pelo seu trabalho, pelo seu profissionalismo, pelo seu empenhamento pessoal e pela sua humanidade, que os confortaram muito nestes últimos meses e, em particular, neste dia", lia-se numa nota divulgada pelos seus advogados.
O funeral do menino só se realizou no passado dia 8 de fevereiro na basílica de Saint-Maximin-la-Sainte-Baume. Segundo a imprensa francesa, a cerimónia contou com a presença de toda a família, incluindo a irmã de Émile, atualmente com quase três anos, e o irmão, nascido em outubro de 2024.
Nesse dia, os avós maternos de Émile pronunciaram-se pela primeira vez, afirmando que não podiam "continuar a viver sem respostas".
"Não podemos continuar a viver sem respostas. Os meios de justiça foram acionados, foram realizados relatórios de peritos e, no entanto, continuamos sem saber o que aconteceu a Émile desde o seu desaparecimento a 8 de julho de 2023. Passaram 19 meses, 19 meses sem a mínima certeza. Precisamos de compreender, precisamos de saber", lamentaram.
Pouco mais de um mês após o funeral do menino, no passado dia 15 de março, o padre que o batizou, Claude Gilliot, foi encontrado morto, tendo colocado termo à própria vida.
O pároco e a família eram muito próximos, mas tal mudou após o desaparecimento, quando Gilliot partilhou uma fotografia do menino com a imprensa.
Pode ver, na galeria acima, imagens da operação policial na casa dos avós maternos de Émile Soleil na manhã de terça-feira.
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