Staffan De Mistura, que na semana passada já se tinha deslocado a Rabat para se encontrar com o chefe da diplomacia marroquina, Nasser Bourita, reuniu-se em Nouakchott com o Presidente mauritaniano, Mohamed Ould Ghazouani, bem como com os chefes dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa locais, informa a agência noticiosa oficial.
Antes de apresentar um relatório a Guterres e ao Conselho de Segurança sobre o atual momento do diferendo, a 14 deste mês, o enviado de António Guterres irá ainda manter contactos com a Frente Polisário, que controla a República Árabe Sarauí Democrática (RASD), e com a Argélia, que apoia o movimento de libertação, embora o gabinete não tenha tornado pública a agenda oficial das visitas.
Um porta-voz do gabinete, contudo, explicou à agência noticiosa Europa Press que esta nova ronda de contactos faz parte do compromisso de De Mistura de "fazer progressos construtivos" no "processo político" pendente.
O processo, iniciado com a anexação marroquina da antiga colónia espanhola, em 1976, continua estagnado, uma vez que nenhuma das partes cedeu às respetivas posições.
No recente encontro com De Mistura, o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino deixou claro que, para Marrocos, a resolução do conflito territorial na antiga colónia espanhola passa "exclusivamente" por seguir o plano de autonomia apresentado em 2007 pelo rei Mohammed VI.
Em 2024, o enviado da ONU chegou mesmo a insinuar a possibilidade de dividir o Saara Ocidental para desbloquear as negociações, mas tanto Marrocos como a Frente Polisário, que reivindica o direito da população sarauí à autodeterminação, rejeitaram liminarmente a ideia.
O projeto de "partilha", explicou então De Mistura, "permitiria, por um lado, criar um Estado independente na parte sul e, por outro, integrar o resto do território como parte de Marrocos, cuja soberania seria reconhecida internacionalmente".
No entanto, o enviado da ONU, nomeado por Guterres em outubro de 2021, advertiu que "nem Rabat nem a Frente Polisário" manifestaram o menor "sinal de vontade" de ir mais longe nas negociações sobre esta proposta.
"Lamento o facto", concluiu o homem que, há mais de dez anos, foi o enviado da ONU para encontrar uma solução para a guerra civil e internacional na Síria.
Marrocos defende um plano de autonomia alargado para a antiga colónia espanhola em África, enquanto a Polisário insiste na realização de um referendo de autodeterminação, assinado na ONU por todas as partes em 1991.
O Saara Ocidental, uma vasta zona desértica de 266 mil quilómetros quadrados a norte da Mauritânia, é o último território do continente africano cujo estatuto pós-colonial ainda não foi resolvido: Marrocos controla mais de 80% do território e a Frente Polisário menos de 20%, separados por uma zona tampão sob controlo das forças de manutenção da paz da ONU, a MINURSO.
A ONU considera a antiga colónia espanhola um "território não autónomo".
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