Imigrante legal deportado dos EUA por "erro". Tudo o que se sabe do caso

Um homem de 29 anos foi para uma prisão de alta segurança em El Salvador, contra aquilo que o tribunal tinha dito que deveria acontecer. Mulher diz que marido "não é criminoso" e conta que confirmou a sua ida até ao país depois de o governo salvadorenho publicar uma fotografia dele.

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© X (antigo Twitter) jj_talking

Notícias ao Minuto com Lusa
03/04/2025 17:09 ‧ ontem por Notícias ao Minuto com Lusa

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As ondas de deportações a que os Estados Unidos têm dado 'luz verde' desde que Donald Trump assumiu a presidência estão agora a 'rebentar' - pelo menos em Maryland, onde uma família está destruída depois de um homem ter sido deportado por engando.

 

Tudo aconteceu a 12 de março, quando Kilmar Abrego Garcia foi detido enquanto estava no carro com o seu filho, de cinco anos. O imigrante legal vindo de El Salvador está agora numa prisão no seu país de origem, para onde nunca deveria ter sido levado - isto porque em 2019 o homem foi acusado de fazer parte da máfia salvadorenha, MS-13, mas a justiça norte-americana ilibou-o posteriormente e proibiu a sua deportação, alegando que corria o risco de represálias se regressasse ao país.

O jornal The New York Times adianta que as autoridades foram atrás de Abrego Garcia depois de receberem uma denúncia anónima, que dava conta de que este pertencia ao gangue de El Salvador. Na altura, as autoridades foram também movidas pela roupa que este usava - um boné e uma blusa da equipa de basquetebol, Chicago Bulls. Segundo escreve a New Yorker ainda em 2018, na altura muitos membros deste gangue nos EUA usavam roupa alusiva a esta equipa ou dos Brooklyn Nets. Originalmente, a MS-13 foi criada para proteger imigrantes salvadorenhos de outros gangues em Los Angeles, tendo muitos membros do grupo organizado voltado ao país de origem.

O que diz a família?

Ao saber da detenção, a mulher de Abrego Garcia foi a correr para o local, segundo o que escrevem as publicações internacionais. Mas ao chegar lá não conseguiu fazer nada e o marido foi mesmo deportado a 15 de março,  numa altura em que, segundo o New York Times, um juiz já tinha admitido a possibilidade de que este pudesse ser torturado por lá.

Já esta quarta-feira, a esposa falou com as publicações internacionais, dando conta de que receava pela vida do marido, que identificou na prisão depois de o governo de El Salvador publicar uma fotografia dele na prisão de máxima segurança, que alberga acusados de terrorismo.

Antes de o identificar nesta imagem, Jennifer contou que o marido lhe disse - enquanto era transferido ainda nos EUA - para assumir que este tinha sido deportado, caso não recebesse nenhuma chamada dele.

"Quando o vi [na foto] fiquei imediatamente destroçada porque sabia que era ele", referiu Jennifer, afirmando que temia pela vida dele. "Já vi algumas coisas sobre esta prisão. O meu marido não é um criminoso", apontou.

Abrego Garcia foi para os EUA com 16 anos, em 2011. De acordo com os documentos do tribunal citados pela CBS News, entrou no país ilegalmente, sem ser inspecionado pelos funcionários da imigração. Em 2019, aquando a sua detenção, o seu caso foi visto por um juiz de imigração. Após meses detido, acabou por ser libertado e foi-lhe conferido uma "retenção de remoção", classificação legal que impede as autoridades de deportar indivíduos que provem ser mais provável do que vão enfrentar perseguição no seu país de origem. Segundo o que Jennifer explicou à CBS News, o marido foi sempre às reuniões necessárias com a imigração e é o principal sustento da família. Atualmente, estava legal.

"Erro administrativo"

A administração do presidente norte-americano, Donald Trump, já assumiu um "erro administrativo" na deportação de Abrego Garcia, mas em público o vice-presidente, JD Vance, rotulou-o de criminoso.

De acordo com um processo judicial iniciado na segunda-feira, o salvadorenho foi repatriado no mês passado a bordo de um voo com centenas de pessoas acusadas de pertencerem ao submundo do crime. Nos mesmos documentos, os advogados do governo norte-americano reconheceram que a deportação de Garcia foi um "erro administrativo".

Contudo, afirmaram não ter autoridade para garantir a sua libertação porque o deportado já não estava nos Estados Unidos.

Outros casos semelhantes foram levantados pela imprensa norte-americana, com os advogados a afirmarem que os seus clientes eram visados apenas por causa de tatuagens, um sinal característico das máfias da América Central.

Leia Também: Advogados de Trump assumem erro na deportação de imigrante legal para prisão

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