Israel alarga investigação a morte de 15 trabalhadores humanitários

O exército israelita alargou a sua investigação sobre a morte de 15 trabalhadores humanitários palestinianos de várias organizações num ataque das tropas israelitas em 23 de março, nos arredores da cidade de Rafah.

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© Lisi Niesner/Reuters

Lusa
03/04/2025 13:16 ‧ ontem por Lusa

Mundo

Médio Oriente

 "O incidente de 23 de março de 2025, em que as Forças de Defesa de Israel (IDF) abriram fogo contra terroristas que avançavam em ambulâncias, foi entregue ao Mecanismo Consultivo do Estado-Maior para investigação", disse hoje o porta-voz do exército israelita, Nadav Shoshani.

 

Shoshani sublinhou numa mensagem publicada na rede social X que "as IDF atribuem a maior importância à manutenção da comunicação com as organizações internacionais que operam em Gaza e interagem com elas regularmente", entre alegações internacionais sobre o incidente.

O porta-voz afirmou, após o ataque, que as tropas destacadas na zona identificaram veículos que "avançavam de forma suspeita" e "sem coordenação" em direção às forças israelitas, acrescentando que entre os mortos estavam "nove terroristas do Hamas" e da ala militar da Jihad Islâmica, as Brigadas Al Quds.

"Não é surpreendente que os terroristas estejam novamente a utilizar instalações e equipamentos médicos para as suas atividades. Quando os terroristas operam numa zona de combate ativa, faremos tudo o que pudermos para proteger os nossos civis e as nossas tropas", afirmou na altura, apesar das críticas internacionais.

A mensagem foi enviada horas depois de o secretário-geral da ONU, António Guterres, ter afirmado estar "chocado com o ataque do exército israelita a um comboio médico e de emergência" em Rafah.

"O pessoal médico e humanitário e os trabalhadores de emergência devem ser protegidos em todos os momentos", acrescentou.

Stephane Dujarric, porta-voz de Guterres, sublinhou que, "desde outubro de 2023, pelo menos 408 trabalhadores humanitários foram mortos em Gaza, pelo menos 280 dos quais eram funcionários da ONU".

A organização humanitária Crescente Vermelho afirmou na segunda-feira que 15 corpos foram recuperados de uma vala comum onde foram enterrados juntamente com os seus veículos e afirmou não ter dúvidas de que o acontecimento "só pode ser considerado um crime de guerra ao abrigo do direito internacional humanitário".

O chefe interino do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) para a Palestina, Jonathan Whittall, sublinhou que os trabalhadores humanitários e de saúde "nunca devem ser visados" e disse que a vala comum onde os corpos foram recuperados "estava marcada com a luz de emergência de uma das ambulâncias esmagadas".

"Conseguimos finalmente chegar ao local e descobrimos uma cena devastadora: as ambulâncias, o veículo da ONU e o camião dos bombeiros tinham sido esmagados e parcialmente enterrados", disse, sublinhando que todos estes trabalhadores humanitários "foram mortos com os seus uniformes vestidos, conduzindo veículos claramente identificados, usando as suas luvas, a caminho de salvar vidas".

No dia do ataque, em 23 de março, o exército israelita emitiu avisos aos habitantes do bairro de Tel al-Sultan, no sul de Rafah, instando-os a deslocarem-se imediatamente para al-Mawasi, uma vez que se tratava de "uma zona de combate perigosa".

O Hamas condenou em comunicado os ataques a Tel al Sultan, o bairro saudita de Gaza e outras zonas de Rafah e afirmou que "o cerco a mais de 50 mil civis e o ataque a instalações e pessoal médico constitui um crime de guerra".

As equipas de emergência do Crescente Vermelho palestiniano acusaram na altura as forças israelitas de bloquear várias das suas ambulâncias em Rafah e que vários dos seus médicos no cerco tinham sido feridos e que se tinha perdido o contacto com eles.

Leia Também: Scholz pede regresso de "negociações" para parar a guerra em Gaza

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