Bélgica alvo de tentativas de interferência estrangeira em eleições

As eleições municipais, regionais, federais e europeias de 2024 na Bélgica registaram tentativas de interferência estrangeira, principalmente através de campanhas de desinformação, de acordo com um relatório anual dos serviços de segurança belgas, publicado esta quarta-feira.

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Lusa
02/04/2025 18:53 ‧ ontem por Lusa

Mundo

Bélgica

"Assistimos a uma forma de 'Belgium bashing' [de denegrir a Bélgica] através de campanhas sofisticadas", afirmou o chefe do Serviço Geral de Informações e Segurança (SGRS), o major-general Stéphane Dutron, citado no documento.

 

Esta é uma tendência que aumentou "substancialmente" desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, segundo o relatório do SGRS, que acrescenta que, desde então, "a rápida evolução das condições geopolíticas tornou possível explorar e intensificar ainda mais as atividades de Manipulação e Interferência de Informação Estrangeira (FIMI, na sigla inglesa) dirigidas ao público ocidental e belga".

A análise refere que, durante as duas jornadas eleitorais de 09 de junho (eleições regionais, federais e europeias) e de 13 de outubro (eleições autárquicas), os serviços secretos belgas detetaram interferências deste tipo.

No entanto, estas ações não foram "nada comparadas com as campanhas de desinformação que têm sido conduzidas há anos por certos atores estatais e/ou não estatais e seus representantes, visando o público belga e, por extensão, o público europeu ou ocidental", acrescentaram os peritos belgas.

"Algumas narrativas extremas foram amplamente amplificadas", afirmou Dutron, que se referiu especificamente a questões relacionadas com a imigração, o extremismo ou os direitos LGBTI+.

O general das secretas da Bélgica destacou não ter dúvidas de que estas ações foram orquestradas a partir do estrangeiro, porque podem ser "estabelecidos padrões claros" e salientou que, dada a tendência crescente destes fenómenos, o Serviço Geral de Informações e Segurança pretende duplicar os seus efetivos até 2040.

Em 18 de março, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas afirmou que "a manipulação e interferência no setor da informação é uma grande ameaça à segurança da União Europeia (UE)", em críticas direcionadas à China e à Rússia que acusa de possuírem um "enorme arsenal digital".

No seu último relatório anual sobre o assunto, a UE afirmou que, no ano passado, identificou ataques de desinformação contra mais de 80 países e mais de 200 organizações.

O relatório não chega ao ponto de acusar a Rússia e a China de conspirarem ativamente para espalhar a desinformação.

No entanto, salienta que no mês em que se assinalaram os 1.000 dias da invasão da Ucrânia pela Rússia, "surgiu um alinhamento significativo das narrativas sino-russas, com mensagens hostis que culpam a NATO pela escalada do conflito".

Um estudo publicado em 13 de março pela "EUvsDisinfo", um projeto da UE que combate a desinformação pró-Kremlin (presidência russa), vincou a intensificação de "táticas que podem ser descritas como 'exaustão de informações', envolvendo manipulação emocional através de conteúdo gerado por Inteligência Artificial, aumentando a atividade de 'bots' [programa que simula o comportamento de um ser humano] nos 'media' sociais".

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