"Esta iniciativa junta-se às outras recentemente lançadas para o apoio à tesouraria e investimento das micro, pequenas e médias empresas do setor privado em Moçambique, porque nós sabemos que o setor privado é que dinamiza a economia", disse o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, durante o lançamento do Fundo de Recuperação Empresarial, na província de Nampula, norte do país.
O fundo, avaliado em cinco milhões de dólares (4,6 milhões de euros), conta com o apoio do Banco Mundial e foi anunciado pelo chefe do Estado.
"Esperamos que (...) produza os resultados almejados que incluem a resiliência das nossas empresas a choques como estes [ciclones e manifestações], bem como a manutenção dos postos de trabalho e criação de mais e melhores empregos, sobretudo, para mulheres e jovens", disse o Presidente moçambicano.
Chapo apelou à salvaguarda de questões ambientais e sociais nos projetos financiados pelos fundos públicos, justificando que as exigências devem ser consideradas um "esforço" para que investimentos sejam "mais resilientes" aos desastres naturais.
"Gostaríamos, por isso, de apelar aos nossos empresários para priorizarem os aspetos de salvaguardas ambientais e sociais nos projetos submetidos para financiamento", pediu.
Moçambique está em plena época chuvosa, que decorre entre outubro e abril, período em que, além do Chido, que atingiu o país em 14 de dezembro, registou ainda os ciclones Dikeledi, em 13 de janeiro, e Jude, em 10 de março, totalizando cerca de 170 mortos.
O ciclone Jude, o mais recente a afetar o país, entrou em Moçambique através do distrito de Mossuril, tendo feito, pelo menos, 43 mortos, dos quais 41 em Nampula, afetando ainda, Tete, Manica e Zambézia, no centro, e Niassa e Cabo Delgado, no norte.
A última atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) apontava para, pelo menos, 384.877 afetados.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.
O país vive desde outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas pelo ex-candidato Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais de 09 de outubro, que deram vitória a Daniel Chapo.
Quase mil empresas moçambicanas foram afetadas pelas manifestações pós-eleitorais, com um impacto na economia superior a 480 milhões de euros e causando 17 mil desempregados, segundo a mais recente estimativa da Confederação das Associações Económicas (CTA).
Desde outubro, pelo menos 361 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, de acordo com a Plataforma Decide, uma organização não-governamental moçambicana que acompanha os processos eleitorais.
O Governo moçambicano confirmou pelo menos 80 óbitos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias durante as manifestações.
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