"Esta resposta oficial inclui uma carta na qual a nossa posição sobre a situação atual e a carta de Trump foi totalmente explicada à outra parte", sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, à agência noticiosa oficial IRNA.
A carta, acrescentou, foi enviada na quarta-feira ao Sultanato de Omã, que atua como intermediário entre o Irão e os Estados Unidos, na ausência de relações diplomáticas.
Araghchi reiterou ainda à IRNA que Teerão não está disposto a realizar negociações diretas no âmbito da atual política de "pressão máxima" de Trump, mas está disposto a manter um diálogo indireto com os Estados Unidos.
"A nossa política continua a ser a de evitar negociações diretas em condições de pressão máxima e ameaças militares, mas as negociações indiretas, tal como existiram no passado, podem continuar", garantiu o chefe da diplomacia.
Desde o seu regresso à Casa Branca, em 20 de janeiro, Trump apelou a negociações com Teerão e até enviou a carta a exortá-lo, mas, ao mesmo tempo, retomou a chamada política de "pressão máxima" contra o Irão e aprovou quatro rondas de sanções para cortar a venda de petróleo iraniano.
Além disso, ameaçou com uma ação militar se o Irão não concordasse em negociar.
Perante esta pressão, o Irão negou repetidamente que iria negociar com os EUA, mas suavizou a sua mensagem ao longo das semanas.
Há alguns dias, Araghchi disse que a carta de Trump tinha um tom ameaçador, mas reconheceu que também apresentava oportunidades.
Ainda hoje, Kamal Kharrazi, conselheiro do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, abriu a porta a negociações indiretas com Trump.
"A República Islâmica não fechou todas as portas, está pronta para negociações indiretas para avaliar o outro lado, anunciar as suas condições e tomar a decisão certa", disse Kharrazi.
Até agora, Khamenei rejeitou a oferta de diálogo de Washington como "uma farsa" e advertiu que negociar com a administração Trump só levaria a mais sanções contra a República Islâmica.
A mais alta autoridade política do Irão também recordou que o republicano abandonou durante o seu primeiro mandato o pacto nuclear de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções económicas.
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