A exposição 'Chantal Akerman: Travelling', que é inaugurada no dia 16 e abre ao público no dia seguinte, "percorre as várias etapas da carreira e revisita os anos e lugares que atravessou e filmou, abordando meios tão variados como o cinema, a televisão, a escrita e a instalação", refere o CCB em nota de imprensa.
Esta primeira grande retrospetiva dedicada a Chantal Akerman chega a Lisboa depois de já ter sido mostrada em Bruxelas e em Paris, numa altura em que se cumprem dez anos da morte da cineasta, ocorrida em 2015, aos 65 anos.
De acordo com o CCB, a exposição traça um mapa artístico e biográfico da multifacetada artista belga, "apresentando imagens das suas produções e documentos arquivísticos inéditos", reunidos pela Fundação Chantal Akerman.
A exposição ficará patente no MAC/CCB - Museu de Arte Contemporânea até 7 de setembro, sendo acompanhada de uma série de iniciativas, nomeadamente uma visita orientada pela realizadora Marta Mateus e uma leitura do texto 'Uma família em Bruxelas', de Chantal Akerman, pela atriz Beatriz Batarda, no dia 17 de maio, coincidindo com o Dia Internacional dos Museus.
No dia 16 de abril, na inauguração, estarão presentes a curadora da exposição, Laurence Rassel, e a presidente da Fundação Chantal Akerman, Sylviane Akerman.
A Cinemateca Portuguesa, que em 2012 dedicou uma retrospetiva à cineasta, associa-se à exposição com um curto ciclo de filmes, entre os dias 24 e 30 de maio, com a presença da diretora de Fotografia Sabine Lancelin.
"News from home" (1976), com leitura de correspondência entre Chantal e a mãe, durante uma estadia da realizadora nos Estados Unidos, e "Jeanne Dielman" (1975), com Delphine Seyrig, considerado a obra maior de Chantal Akerman e exemplo do cinema feminista, são dois dos filmes a exibir na Cinemateca Portuguesa.
'Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles', que em maio cumpre 50 anos desde a estreia no Festival de Cinema de Cannes, foi nomeado em 2022 o melhor filme de todos os tempos pela revista britânica Sight&Sound.
Chantal Akerman morreu em Paris, em outubro de 2015, deixando uma obra "incandescente, pioneira e nómada", como escreveu na altura o jornal francês Le Monde.
Em 2012, quando lhe dedicou uma retrospetiva em colaboração com o festival DocLisboa, a Cinemateca escrevia que Chantal Akerman partilhava "o espírito de uma geração pós-Nouvelle Vague" e que as suas obras revelam "uma experimentação narrativa, uma inventividade formal e um rigor na observação documental da realidade, que fazem delas objetos únicos, que se distinguem pela relação complexa que mantêm com tudo o que filmam".
Dois anos depois da morte de Chantal Akerman, foi criada uma fundação para preservar os arquivos e cuidar dos direitos da obra, nomeadamente com restauro dos filmes, realização de retrospetivas, publicação de obras e exposições.
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