O Around Classic - Festival de Música Clássica de Lisboa, organizado pela Lisboa Cultura/EGEAC e a associação cultural MegaClassic, tem como parceiros institucionais o Teatro Nacional de São Carlos e a RTP e, como diretor artístico, Miguel Leal Coelho, antigo administrador do Centro Cultural de Belém (CCB), onde assumiu a direção operacional de acontecimentos como a Festa da Música e os Dias da Música, e a programadora Paula Fonseca, também anterior responsável do CCB, como diretora executiva.
A decorrer ao longo de um fim de semana, o festival quer "desafiar perceções [da música erudita] e tornar este universo mais acessível a todos", assumindo "a missão de democratizar" o acesso a esta expressão, segundo os organizadores.
As orquestras de época Os Músicos do Tejo e Ludovice Ensemble, os violoncelistas Filipe Quaresma e Pavel Gomziakov, o cravista Kenneth Weiss, os pianistas Artur Pizarro e Miguel Borges Coelho, o saxofonista Ricardo Toscano e o acordeonista João Barradas são alguns dos protagonistas dos 15 concertos anunciados, todos eles à volta de Bach, quando se assinalam 340 anos do nascimento do compositor.
O concerto de abertura, na noite de sexta-feira, 30 de maio, na Sala Manoel de Oliveira, no Cinema S. Jorge, reúne os pianistas Artur Pizarro, Rinaldo Zhok, Vita Panomariovaite e Ludovico Troncanetti com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direção de Ligia Amadio, num programa que ousa os seis concertos para dois, três e quatro cravos e orquestra, do compositor alemão.
O mesmo programa será revisitado no dia seguinte, no mesmo local, mas desta vez pelo jazz de Daniel Bernardes que compôs "Nome BACH: Quodlibet - Pela Beleza do Gesto", a partir dos seis concertos. Bernardes, em piano, será acompanhado por "alguns dos maiores nomes do Jazz português", como escreve nas notas de apresentação: Ricardo Toscano (saxofone), João Barradas (acordeão), Demian Cabaud (contrabaixo) e Joel Silva (bateria).
Os Músicos do Tejo, de Marcos Magalhães, atuam igualmente no sábado, 31 de maio, no S. Jorge. Partem de uma das primeiras cantatas sacras de Bach, "Christ lag in Todesbanden" ("Cristo descansa nos braços da morte", em tradução livre), que conjugam com a Suite Orquestral n.º 3, a ária "Schlummert ein, ihr matten Augen" ("Cedam ao sono [da morte], com os vossos olhos cansados"), da cantata "Ich habe genug" ("Tenho quanto me baste"), e "Widerstehe doch der sünde" ("Resisti ao pecado"), uma das obras mais profundas, mas também das mais festivas de Bach, segundo as notas do concerto.
Para este programa, Os Músicos do Tejo contam com a soprano Johanna Falkinger, o contratenor Arthur Filemon, o tenor Marco Alves dos Santos, e o baixo Hugo Oliveira. No oboé, estará Pedro Castro, em cravo, Marta Araújo e, em órgão e na direção, Marcos Magalhães.
As Suites para violoncelo solo, com que Bach garantiu a plena maioridade deste instrumento, serão interpretadas por Pavel Gomziakov e Filipe Quaresma, no Teatro Variedades, no sábado, dia 31, e no domingo, 01 de junho, respetivamente.
Um dos principais cravistas da atualidade, Kenneth Weiss, estará no Teatro Variedades, no sábado, com o seu novo programa de concerto: "Bach -- Quaerendo Invenietis", demonstração do "génio das obras contrapontistas de Bach", com peças de "O Cravo Bem Temperado", "Oferenda Musical", "Variações Goldberg" e "A Arte da Fuga", culminando na célebre "Fantasia Cromática e Fuga".
Antes, o mesmo palco acolherá Alexander Hrustevich com as transposições para acordeão de obras de Bach e dos seus contemporâneos Antonio Vivaldi, Tomaso Albinoni e Johann Pachelbel.
O flautista António Carrilho e o cravista José Carlos Araújo revisitam obras escritas para órgão, para viola da gamba ou traverso e cravo, numa apropriação que a 'plasticidade' da música de Bach permite. O seu concerto acontecerá no Capitólio, no sábado, antes de Sofia Diniz e Fernando Miguel Jaloto interpretarem, no mesmo local, as três Sonatas para viola da gamba e cravo, vindas da maturidade do compositor.
O Capitólio encerrará o segundo dia do festival com cinco Motetes de Bach, pelas Voces Caelestes, com o organista Sérgio Silva, sob direção de Sérgio Fontão.
Domingo, 01 de junho, último dia do festival, abre com o "Magnificat", pelo Coro e Orquestra de Câmara da Escola de Música do Colégio Moderno, no Cinema S. Jorge, onde, mais tarde, o Ludovice Ensemble, de Fernando Miguel Jalôto, irá interpretar a "Oferenda Musical", "uma das mais importantes, famosas, relevantes e influentes obras de Johann Sebastian Bach", segundo as notas do programa.
O concerto de encerramento, também no S. Jorge, reúne Bach e Mozart. Do primeiro, os concertos para cravo, "um dos repertórios mais emblemáticos da História da Música Europeia", pelo Concerto Ibérico - Orquestra Barroca, com Bertrand Cuiller e João Janeiro, como solistas. De Mozart, a Sonata para dois pianos K.448, pelos pianistas Marta Zabaleta e Miguel Borges Coelho.
Além dos concertos em sala, a música de Bach ouvir-se-á no palco exterior do Parque Mayer, no último dia do festival, pelos Violinhos, a Academia de Música Santa Cecilia, os alunos da Escola Luis António Verney e a Orquestra Geração.
No dia 31 de maio, no Capitólio, o cronista Luís Osório irá falar sobre o mestre de Leipzig: "Nome Bach: Uma Vida".
E no Cinema S. Jorge, nos dias 31 de maio e 01 de junho (com língua gestual portuguesa), haverá "Pastéis de Nata para Bach", uma peça com dramaturgia de Pedro Proença e Teresa Gafeira, da Companhia de Teatro de Almada, pensada para seduzir espectadores de todas as idades, a partir dos 3 anos, para a música do compositor.
Os preços dos bilhetes, já à venda nas plataformas, variam entre os 7,5 e os 25 euros, com descontos conforme o número de ingressos adquiridos (nas bilheteiras do Variedades e do S. Jorge) e para pessoas com necessidades específicas e acompanhante.
A concentração dos 15 concertos, ao longo de um fim de semana, em salas municipais de espectáculo, entre o Parque Mayer e a vizinha Avenida da Liberdade, aproxima-se de um modelo de iniciativas anteriores, como Os Dias da Música (2007-2019) e a Festa da Música (2000-2006), do CCB, que chegaram a mobilizar dezenas de milhar de espectadores, para mais de uma centena de concertos. A primeira edição da Festa da Música, em 2000, foi dedicada a Bach, nos 250 anos da morte do mestre de Leipzig.
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