Aveiro e Braga mais expostos aos efeitos destrutivos da digitalização

Viana do Castelo e Viseu também se encontram entre os distritos mais expostos à automação e com "pouca exposição" aos efeitos transformativos da inteligência artificial, conclui um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos(FFMS), hoje divulgado.

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Lusa
04/04/2025 08:40 ‧ ontem por Lusa

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Digitalização

O estudo "Automação e inteligência artificial no mercado de trabalho português: desafios e oportunidades" categoriza 120 profissões em Portugal mais expostas às mudanças tecnológicas associadas à digitalização (inteligência artificial e automação), com base nos potenciais efeitos destrutivos e transformativos (nomeadamente a complementaridade com o trabalho humano).

 

De acordo com o estudo, 28,8% correm "sérios riscos" de desaparecer, ao ser categorizados nas "profissões em colapso".

Mas há diferenças consideráveis a nível regional: "o distrito de Lisboa destaca-se largamente pela maior concentração de emprego em "profissões em ascensão" e, simultaneamente, pela menor proporção em profissões em colapso, segundo a análise realizada com base nos dados dos Quadros de Pessoal do MTSSS, referentes a 2021, e que abrange 3,2 milhões de trabalhadores (quase totalmente do setor privado).

Segundo o "policy paper", que faz parte de um estudo mais alargado que ainda será divulgado, 32,8% do emprego no distrito de Lisboa insere-se na categoria de "profissões em ascensão", enquanto apenas 27% é enquadrado nas "profissões de colapso".

O facto de Lisboa ser o distrito "com mais densidade de emprego no setor dos serviços, particularmente nos serviços intensivos em conhecimento, que incluem atividades como tecnologias de informação, consultoria, serviços financeiros, educação superior e investigação científica", poderá explicar esta circunstância, dado que este setor se caracteriza por requerer "mão de obra altamente qualificada e por utilizarem conhecimento especializado" e uma vez que "está menos exposto à automação destrutiva, já que depende mais das relações interpessoais e de competências difíceis de automatizar", argumentam.

Além de Lisboa, Vila Real (25,8%), Coimbra, Porto (ambos com 25,6%) e Bragança (24,7%) são outros dos distritos com maior proporção de emprego em "profissões em ascensão".

Por outro lado, Braga, Aveiro, Viana do Castelo e Viseu são os distritos "mais expostos à automação e com pouca exposição aos efeitos transformativos da IA", apontam. Segundo a análise, a percentagem de "profissões em colapso" nestes distritos superam os 40%.

"Nos três primeiros, o setor da manufatura tem um papel muito importante, com grandes proporções de emprego nas indústrias de baixa tecnologia", sublinham os investigadores do estudo coordenado por Rui Baptista, professor do Instituto Superior Técnico, notando que "as tarefas desempenhadas pelos trabalhadores são muitas vezes repetitivas e rotineiras, com recurso a tecnologias maduras, cujos custos de adoção são mais baixos".

"O facto de serem facilmente codificáveis, dado o seu grau de rotinização, associado aos baixos custos de adoção da tecnologia e às pressões da concorrência internacional, resulta numa grande exposição dos trabalhadores à automação, ameaçando os seus empregos", acrescentam, defendendo que nestas regiões, "os decisores políticos deverão dedicar particular atenção aos desafios da digitalização, uma vez que a destruição destes trabalhos pode ser muito rápida".

Neste estudo, os autores apresentam ainda um conjunto de recomendações de políticas públicas, defendendo, nomeadamente, a aposta em estratégias regionais diferenciadas, de modo a mitigar os efeitos negativos da digitalização.

Em distritos mais vulneráveis, como Braga, Aveiro e Viana do Castelo, "onde a automação destrutiva pode ter impactos graves, devem ser promovidas iniciativas para a diversificação económica e a criação de polos tecnológicos", ao passo que em regiões como Lisboa, Porto e Coimbra "é importante fomentar a inovação e o investimento em competências avançadas".

Leia Também: Siemens vai cortar seis mil postos de trabalho em todo o mundo

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