"Gostava que a série expandisse o entendimento das pessoas sobre a sexualidade incluir corpos que estão doentes", disse a cocriadora Elizabeth Meriwether em entrevista à Lusa. "Podemos estar doentes e ser sexuais ao mesmo tempo. Faz parte da experiência de ser uma pessoa".
'Dying for Sex' surge com base no podcast homónimo de seis episódios lançado pela Wondery em 2020, um ano após a morte de Molly Kochan provocada por um cancro de mama agressivo. São conversas francas em que Molly fala com a melhor amiga Nikki Boyer das aventuras sexuais em que embarcou quando soube que o cancro era terminal.
Nikki colaborou com as 'showrunners' Elizabeth Meriwether e Kim Rosenstock na produção mas deu-lhes espaço para encontrarem a sua versão da história, fiel aos factos mas com alguma liberdade criativa.
"O nosso objetivo era ser fiel ao espírito do podcast e o que estava a tentar comunicar", explicou Meriwether. "Mas os momentos mais loucos da série aconteceram realmente".
A exploração de desejos sexuais e novas experiências aconteceu quando Molly deixou o casamento de 15 anos, já depois de ter passado por uma dupla mastectomia e cirurgias de reconstrução mamária. Várias cenas da série são sexuais e com vários gatilhos, pelo que as criadoras chegaram a ter três coordenadores de intimidade no estúdio ao mesmo tempo.
"Há muito que não escrevia cenas de sexo", contou Meriwether, que trabalhou sete anos em 'New Girl' e foi responsável pela série premiada 'The Dropout'. "Tivemos muitas conversas sobre o que íamos pôr no ecrã, para que não parecesse que o estávamos a fazer só porque sim ou para chocar", indicou. "Queríamos que cada cena de sexo levasse o personagem numa jornada e que a audiência sentisse que, no final, descobriu algo novo".
Kim Rosenstock, conhecida por 'Homicídios ao Domicílio', indicou que era importante que a personagem interpretada por Michelle Williams não fosse explicada apenas por esta tragédia que lhe aconteceu. "Queríamos contar uma história que fosse integrada, que permeasse a sua vida".
Apesar do tema dramático, há cenas que se tornam engraçadas, tal como Molly as contou no podcast. Esse foi outro desafio das criadoras, que queriam acertar no tom de uma história com elementos contraditórios.
"O tom foi complicado, mas decidimos desde cedo não pensar se algo era comédia ou drama", disse Meriwether. "Não olhávamos para o argumento a dizer, isto precisa de mais piadas".
As contradições da história foram, aliás, o que atraiu Kim Rosenstock para o projeto. "No princípio hesitei, era uma história sobre alguém com cancro terminal e todos temos uma certa ideia do que isso é", lembrou a argumentista. Quando ouviu o podcast, percebeu que era muito diferente.
"É uma história muito feminina, porque é contada pela lente de um despertar sexual", considerou Rosenstock. "É contada também com a intimidade e humor de uma amizade muito próxima entre mulheres, e isso tocou-me". Na série, mais que no podcast, há um grande relevo dado ao papel que Nikki Boyer (interpretada por Jenny Slate) teve como cuidadora da amiga que estava a morrer.
Embora recusem a ideia de que 'Dying for Sex' tem de passar uma mensagem, as criadoras esperam que a forma como a história é contada estimule a audiência a olhar para estes temas com outra visão.
"Espero que esta série faça as pessoas sentirem-se menos sozinhas e mais vistas", disse Kim Rosenstock. "Também gostaria que se livrassem da ideia de que há uma coisa chamada sexo normal e se libertem", continuou. "Que isto comece uma conversa sobre a ideia de que o sexo pode ser muitas coisas e ninguém deve ter vergonha do que lhes faz sentir bem".
Com seis episódios, o elenco inclui Jay Duplass, Rob Delaney e Sissy Spacek.
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