Em comunicado, a diplomacia de Londres informou que as novas medidas são dirigidas contra uma rede de agentes pró-russos que operam sob a designação de Evrazia na Moldova em nome do oligarca corrupto fugitivo Ilan Shor, a fim de desestabilizar a democracia do país e disseminar a influência de Moscovo.
O comunicado refere que estas sanções se inserem na sua campanha contra a corrupção e o branqueamento de capitais, "vital para proteger os cidadãos britânicos do crime organizado e salvaguardar a democracia".
A rede Evrazia foi utilizada por Shor para chantagear os cidadãos moldovos para que votassem "não" no último referendo do ano passado sobre a adesão à União Europeia (UE), segundo alega o executivo britânico.
As sanções aplicam-se à fundadora e diretora da Evrazia, Nelli Alekseyevna Parutenko, à membro do conselho Natalia Parasca, bem como à própria Evrazia e a outra importante aliada de Shor, Marina Tauber.
O comunicado das autoridades britânicas considera ainda que as ações dos visados "expõem as tentativas do Kremlin [presidência russa] de minar e desestabilizar as democracias na Europa de Leste".
"Ao visar agentes corruptos e os seus intermediários, o Reino Unido está a usar os seus poderes para criar um ambiente mais hostil à corrupção e ao financiamento ilícito e para dissuadir ameaças à segurança do Reino Unido", acrescenta o comunicado.
Por sua vez, o chefe da diplomacia de Londres, David Lammy, observou que as sanções "enviam uma mensagem clara" a Moscovo.
"Não ficaremos parados enquanto a Rússia mina a democracia e o Estado de direito, ameaçando a segurança de países que consideramos amigos e parceiros", sustentou.
David Lammy disse ainda que, se não for controlado, "este tipo de corrupção insidiosa pode minar os alicerces" da sociedade e "abrir as portas à Rússia e a outros agentes do mal para expandir a sua influência e comprometer a estabilidade" do Reino Unido e dos países vizinhos.
No referendo, realizado em 20 de outubro, o "sim" à adesão à UE venceu por curta margem com 50,39% dos votos.
A Moldova candidatou-se à adesão à UE em março de 2022, tendo-lhe sido concedido o estatuto de país candidato em junho do mesmo ano.
Em dezembro de 2023, foi aprovado o início das negociações de adesão.
Nas eleições presidenciais, que ocorreram em simultâneo com o referendo, a Presidente moldova cessante, a pró-europeia Maia Sandu, ficou em primeiro lugar na primeira volta, confirmando posteriormente a sua reeleição contra o candidato pró-russo Alexandr Stoianoglo.
Estas eleições foram igualmente marcadas por acusações de manipulação do Kremlin, que exigiu provas e apontou "anomalias" depois de conhecidos os resultados da votação.
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