"Se a Europa continuar a cair, nós continuaremos a cair em Portugal, porque o nosso primeiro mercado é Espanha, o segundo mercado é a Alemanha, mas estamos a entregar para as linhas de produção, na Europa. Ora, se houver uma diminuição de carros consumidos na Europa, fabricados na Europa, e para vendas aos Estados Unidos da América, obviamente que Portugal vai sentir este efeito", afirmou o responsável à Lusa, por telefone.
No entender do presidente da AFIA, as tarifas de 25% sobre automóveis importados pelos EUA são o mais recente desafio para o setor automóvel europeu, depois do aumento das importações de veículos chineses.
"Se não houver produção de automóveis, as empresas de componentes sofrerão significativamente, e é aqui que reside o nosso maior receio: no ano passado, a Europa caiu acima de 4%, a indústria de componentes em Portugal caiu menos que a Europa, mas quedas destas em anos seguidos têm um efeito altamente pernicioso para toda a economia",
A indústria automóvel representa 12,9 milhões de postos de trabalho no espaço europeu e mais de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) da UE.
Quanto à dimensão dos efeitos, José Couto apontou que, por agora, é difícil fazer uma previsão dos efeitos das tarifas no mercado europeu e português, uma vez que a indústria automóvel "não tem muitas encomendas em carteira", o que leva a que a sua reação seja relativamente breve.
"É preciso perceber que 'stock' é que existe na Europa, neste momento, e que encomendas é que vão fazer [os parceiros da área de comércio]. Para nós, nunca antes de três meses", explicou.
O presidente da AFIA espera que a Europa adote medidas "capazes de atenuar" o desafio e que também Portugal possa responder de forma a preservar esta indústria.
Para o dirigente, a Europa deve "reagir perante este problema, nomeadamente em tudo o que significar baixar os custos" a nível das matérias-primas e ao nível da produtividade".
"A aposta tem que ser muito de aumentar a produtividade, a competitividade do produto [...], não só com as matérias-primas, mas também com a tecnologia", defendeu.
Em comunicado hoje divulgado, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) lamentou as tarifas decretadas por Trump e pediu à UE para que negoceie uma "solução" que evite um impacto direto no investimento e no crescimento económico.
Durante a manhã, o comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, anunciou que irá iniciar na sexta-feira um diálogo com Washington sobre as tarifas alfandegárias.