O Campeonato de Portugal de Velocidade (CPV) e o Iberian Supercars, campeonato ibérico de velocidade, arrancam amanhã, sábado, no Autódromo Internacional do Algarve.
Esta temporada é aquela que mais inscritos tem: vão competir cerca de 45 carros, desde vários McLaren, Aston Martin, BMW, Porsche ou Toyota. É uma verdadeira montra de supercarros afinados para competição, que se juntam a alguns dos melhores pilotos da Península Ibérica.
Antes do tiro de partida para mais uma época, o Auto ao Minuto falou com o responsável máximo pela organização do pináculo do desporto motorizado na Península Ibérica. Diogo Ferrão, CEO da Race Ready, falou sobre a entrada do CPV e Iberian Supercars nos canais DAZN, fez o balanço dos últimos anos das competições e lançou a época de 2025.
Nada melhor que quem possa ver F1, veja também as corridas do Campeonato de Portugal de Velocidade e do Iberian SupercarsMais de 45 carros na grelha para a primeira corrida do ano, em Portimão. Pode dizer-se que, à partida, este é um dos melhores anos do CPV e do Iberian Supercars?
O ano passado já tinha sido o melhor ano de sempre e a história já vai longa, em 50 anos. Em 2025, temos mais e melhores pilotos, mais equipas e acreditamos que pode ser mais um excelente ano.
Os campeonatos passam a ter a transmissão da DAZN. Dado que este é o canal que transmite atualmente a Fórmula 1, acha que pode ser um ingrediente fundamental para o aumento de visibilidade para o público?
Tentámos estar no mesmo canal da Fórmula 1, porque os fãs de F1 também são fãs de corridas. Nada melhor que quem possa ver F1, veja também as corridas do Campeonato de Portugal de Velocidade e do Iberian Supercars. Atualmente, acho que as nossas corridas são muito interessantes e vamos tentar chegar a um maior número de pessoas.
© Campeonato de Portugal de Velocidade
Vemos milhares de pessoas a assistir a ralis nacionais, mas o mesmo não acontece com a velocidade. Acha que esta diferença entre competições ainda está por esbater?
Sem dúvida que os ralis têm muita tradição em Portugal, principalmente o Campeonato Nacional. É assim há décadas. Só que os circuitos que nós temos são grandes e onde cabem centenas de milhares de pessoas e isto gera um efeito enganador. Numa prova recente tivemos cerca de 10.000 pessoas num circuito, mas uns estão numa curva, outros estão noutra, outros estão no paddock e outros nas zonas VIP. Nesta primeira prova do ano, no Algarve, só com as pessoas das equipas e funcionários temos cerca de mil pessoas.
Por vezes, não quer dizer que haja assim tão pouco público, mas o facto dos circuitos serem de grandes dimensões não ajuda. Nos ralis, por exemplo, as zonas de assistência são mais pequenas e juntam um maior aglomerado de adeptos. Em Jarama, Madrid, é um circuito mais pequeno e já se notou muito mais que lá estavam 25.000 pessoas.
Comecei este projeto só com GT4 e tínhamos 8 e 9 carros na grelha. Agora são 45
O que é que ainda pode ser feito no sentido de dar a conhecer cada vez melhor estas competições ao público?
Privilegio sempre que as pessoas tenham uma boa experiência. Não gosto de forçar a comunicação e depois não ter o produto que queremos. Foco-me na experiência positiva de quem assiste a uma corrida e que essa experiência leve a voltar no próximo ano. Estar no paddock acaba por criar uma ligação maior com os adeptos, que podem ver os carros e os pilotos de perto. Na bancada é sempre mais difícil. Acho que é por aí que temos de ir construindo esta visibilidade porque depois também é importante explicarmos e as pessoas irem percebendo quem é a equipa da BMW Espanha, da Toyota Portugal, da Aston Martin… Quanto mais envolvimento e entendimento, melhor.
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Existem várias categorias nos campeonatos. Não seria possível tornar as corridas com uma única categoria para um melhor entendimento por parte de quem assiste?
Nesta primeira prova, vamos ter 45 carros, mas não podemos esquecer que em 2022, quando nós pegámos no campeonato, eram muito menos. Tivemos de juntar várias categorias para existir um quórum que fosse minimamente agradável para quem estivesse a ver. Comecei este projeto só com GT4 e tínhamos 8 e 9 carros na grelha. Rapidamente tive de pensar que tínhamos de fazer isto de outra maneira, mais alargada. Temos crescido muito e, depois do melhor ano de sempre em termos de números, este ano será ainda melhor. Batemos o nosso próprio recorde e as categorias também providenciam que hajam várias corridas em simultâneo, um bocadinho como se passa em Le Mans. Do ponto de vista da organização, temos que fazer um esforço maior para explicar estas categorias que existem. Em Portimão, por exemplo, os Turismos e os GTC vão ter uma corrida e os GT4, que podemos dizer que é a categoria principal, vão ter outra. Há uma boa forma de distinguir as categorias que é olhar para os para-sóis dos carros, cada categoria tem uma cor diferente.
Que balanço faz do CPV e do Iberian Supercars nos anos em que está à frente destas competições?
Estamos desde 2022 à frente da organização dos campeonatos. A FPAK contactou-nos no sentido de dar uma nova vida a estas competições, que tinha poucos carros na altura. Ao início não foi fácil convencer as pessoas de que isto seria diferente. Existiram anos muito competitivos, mas também com muitos poucos carros. Acreditávamos que podíamos fazer um bom trabalho, mas não sabíamos que iria ser o sucesso que está a ser hoje com todo o número de carros que temos atualmente. As transmissões, pela primeira vez, vão também ser feitas em quatro línguas. Além do português e do espanhol, também serão transmitidas em inglês e italiano.
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