O jornal governamental The Global News Light of Myanmar noticiou hoje que Min Aung Hlaing vai manter conversações com os chefes de governo que participam na cimeira sobre a possível cooperação nas medidas de socorro e reabilitação.
Min Aung Hlaing disse anteriormente que aproveitaria a viagem à capital tailandesa para discutir a resposta ao sismo no âmbito da Iniciativa da Baía de Bengala para a Cooperação Técnica e Económica Multissetorial (BIMSTEC, na sigla em inglês).
A organização regional integra o Bangladesh, o Butão, a Índia, Myanmar, o Nepal, o Sri Lanka e a Tailândia.
A Tailândia, o país anfitrião também afetado pelo terramoto, propôs a publicação de uma declaração conjunta sobre o impacto da catástrofe na sexta-feira.
O terramoto de magnitude 7,7 que devastou o centro da antiga Birmânia matou mais de 3.000 pessoas e deixou milhares de desalojados num país em guerra civil.
A junta militar no poder desde 2021 anunciou na quarta-feira um cessar-fogo até 22 de abril para "acelerar os esforços de socorro e reconstrução, e manter a paz e a estabilidade".
Mas avisou os opositores, uma mistura complexa de grupos armados pró-democracia e minorias étnicas, de que retaliaria contra ataques e quaisquer "ajuntamentos, organizações e expansões territoriais que prejudiquem a paz".
A "Aliança das Três Irmandades", composta pelos principais grupos étnicos rebeldes, já tinha anunciado uma pausa de um mês nas hostilidades.
Também as Forças de Defesa do Povo declararam um cessar-fogo parcial.
As agências das Nações Unidas, os grupos de defesa dos direitos humanos e vários países apelaram a todas as partes para cessarem os combates.
Pediram que todos se concentrassem na ajuda às vítimas do terramoto, o pior a atingir o país nas últimas décadas.
Uma das zonas mais afetadas é Sagaing, no centro de Myanmar, a menos de 15 quilómetros do epicentro do sismo, onde duas centenas de pessoas faziam fila na quarta-feira para pedir ajuda, segundo a AFP.
A destruição em Sagaing é generalizada, com 80% dos edifícios danificados, metade dos quais com gravidade.
O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Myanmar, Titon Mitra, disse à AFP que "não há equipamento médico suficiente".
"Vimos crianças, mulheres grávidas e pessoas feridas", referiu.
"Se olharmos para toda a área afetada, pode haver mais de três milhões de pessoas que foram afetadas", acrescentou Mitra.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as instalações de saúde danificadas pelo terramoto ficaram "sobrecarregadas com um grande número de doentes", enquanto as reservas de alimentos, água e medicamentos estavam a diminuir.
Os voluntários distribuíram água, arroz, óleo de cozinha e outros bens de primeira necessidade aos residentes que pediram ajuda.
Muitas pessoas têm dormido na rua desde o terramoto, incapazes de regressar aos edifícios danificados ou temendo abalos secundários.
"Precisamos de telhados e paredes para podermos ter um abrigo adequado para a noite", disse Ayethi Kar, diretora de uma escola para jovens freiras, que ficou arrasada.
"Não temos ajuda suficiente", acrescentou a senhora de 63 anos, que disse estar ainda a dormir no chão.
Leia Também: OIM pede 16 milhões para apoiar comunidades de Myanmar mais afetadas