Oposição na Turquia convoca para hoje nova manifestação apesar da repressão

O CHP, o partido da oposição do presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, convocou para hoje uma manifestação para denunciar a detenção do edil, apesar da continuação da repressão contra os manifestantes.

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Lusa
29/03/2025 07:46 ‧ há 3 dias por Lusa

Mundo

Turquia

A multidão deverá reunir-se às 12h00 (09h00 TMG) no lado asiático da metrópole "para continuar a marcha para o poder", segundo o apelo do líder do Partido Republicano do Povo (CHP), Ögür Özel.

 

A detenção de Imamoglu, a 19 de março, desencadeou uma vaga de protestos em toda a Turquia, sem precedentes em mais de uma década, mobilizando dezenas de milhares de manifestantes todas as noites até à passada segunda-feira à noite.

Desde então, o partido deixou de convocar multidões para a frente do município. Os jovens e os estudantes, em particular, tentaram continuar a mobilização, mas a repressão em curso, com manifestantes, jornalistas e advogados detidos de madrugada nas suas casas, afastou os mais determinados.

Só em Istambul, 511 estudantes foram detidos até esta sexta-feira, 275 dos quais continuam detidos, segundo o advogado Ferhat Güzel, que admite que "o número é provavelmente muito mais elevado", declarou à AFP.

De acordo com os últimos números oficiais publicados na quinta-feira, mais de 2.000 pessoas tinham sido detidas, 260 das quais estavam presas.

O jornalista sueco Joakim Medin, detido na segunda-feira após ter saído de um avião, foi levado sob custódia para uma prisão de Istambul na sexta-feira à noite, segundo o chefe de redação do seu jornal Dagens UTC.

Andreas Gustavsson disse à AFP que "não foi informado das acusações contra ele", mas, segundo os meios de comunicação turcos, o jornalista é acusado de ter "insultado o presidente" da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e de ser "membro de uma organização terrorista armada".

"Sei que estas acusações são falsas, 100% falsas", insistiu Gustavsson na sua conta no X.

Antes de Medin, o jornalista da BBC Mark Lowen foi expulso "por perturbar a paz". Pelo menos doze jornalistas turcos foram detidos durante a semana. A maioria foi libertada, mas continuam a ser acusados de participar em manifestações proibidas que estavam a cobrir para os seus meios de comunicação social, incluindo o fotógrafo da AFP Yasin Akgül, que disse recear "uma vontade de impedirem os jornalistas de fazerem o seu trabalho".

Na sexta-feira, o advogado do presidente da Câmara de Istambul, Mehmet Pehlivan, foi "detido sob acusações falsas", segundo Imamoglu, antes de ser libertado ao fim da tarde.

No início do fim de semana prolongado do Eid el Fitr, que se celebra no domingo para assinalar o fim do Ramadão, a reunião do CHP servirá de teste para a oposição, uma vez que muitos cidadãos de Istambul terão deixado a cidade para visitar as suas famílias.

O Presidente Recep Tayyip Erdogan anunciou esta semana a concessão de nove dias de férias aos funcionários públicos e às instituições públicas.

O Partido do Fundador da República Mustafa Kemal, principal força da oposição, preparava-se para apresentar Imamoglu como candidato às próximas eleições presidenciais, previstas para 2028, quando este foi detido a 19 de março e enviado para a prisão cinco dias depois.

Segundo o CHP, quinze milhões de pessoas, muito para além do partido, participaram nas primárias simbólicas realizadas no mesmo dia para o apoiar.

"A candidatura de Ekrem Imamoglu é o início de um percurso que garantirá a justiça e a soberania da nação", afirmou Özel na rede social X para motivar os seus apoiantes.

Leia Também: Jornalista sueco detido na Turquia ficou em prisão preventiva

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