Depósitos com juros baixos 'puxam' procura por certificados de aforro

A falta de "generosidade" das taxas de juro dos depósitos a prazo estará a justificar procura pelos certificados de aforro, que entram em abril com taxa pela primeira vez inferior a 2,5%, considera António Ribeiro da Deco Proteste.

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Lusa
28/03/2025 17:37 ‧ há 3 dias por Lusa

Economia

DECO

O comportamento da Euribor a três meses e a fórmula de cálculo da taxa de juro dos certificados de aforro da série F (a única que atualmente está em comercialização) levam o analista financeiro da Deco a referir à Lusa que, a partir de abril, a taxa de juros destes títulos de dívida pública vai descer "para cerca de 2,415%", depois de quase dois anos nos 2,5%.

 

Na prática isto significa que quem subscreva certificados em março, ainda 'apanha' a taxa de 2,5% bruta no primeiro trimestre em que houver vencimento de juros. As subscrições realizadas em abril irão já ser remuneradas à taxa de cerca de 2,4%.

A descida já era previsível, tendo em conta a evolução do indexante, sendo que, apesar da descida da Euribor a três meses, o valor aplicado em certificados de aforro está a subir consecutivamente há cinco meses, tendo registado em fevereiro um novo máximo histórico de 35.755 milhões de euros, segundo os dados do Banco de Portugal.

Olhando para o 'ranking' das taxas de juro médias dos depósitos na zona euro, os últimos dados colocavam Portugal no 5.º lugar dos países com as taxas mais baixas, com António Ribeiro a notar que, nesta matéria, "os bancos portugueses nunca foram particularmente generosos" e admitindo que "se calhar, esta até é uma das razões pelas quais os portugueses têm canalizado mais poupança para os certificados de aforro".

"Diria que as descidas [das taxas de juro] deverão continuar nos próximos meses e obviamente [as d]os depósitos a prazo também vão continuar a descer" refere ainda António Ribeiro, precisando que, neste contexto, se coloca a questão de saber se com estas descidas os CA "ainda são interessantes ou não".

A análise da Deco Proteste relativamente às ofertas de depósitos em março revelou que "havia cerca de três dezenas de depósitos no mercado com taxas de juro superiores às dos certificados de aforro".

Porém, refere o analista financeiro, para quem pretenda uma aplicação de poupança sem risco, de médio/longo prazo e com reforços regulares, os certificados poderão ser um produto interessante.

António Ribeiro reitera, contudo, as características dos certificados da série F, as quais têm levado a Deco Proteste a não recomendar particularmente este produto de poupança. É que, além da taxa de juro máxima (2,5%) inferior, o prémio de permanência também foi reduzido a cerca de metade nos primeiros nove anos, por comparação com a série anterior.

Recentemente, o governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, afirmou não ser "muito compreensível que haja uma diferença significativa entre a remuneração dos depósitos da banca no banco central e a remuneração dos depósitos que a banca faz aos seus clientes".

Para o analista da Deco Proteste esta observação do responsável máximo do BdP vai ao encontro dos alertas que esta associação há muito vem fazendo.

"Se calhar deveria haver aqui alguma justiça, alguma correção no sentido de aumentar o rendimento da poupança sobretudo do pequeno aforrador", refere António Ribeiro, notando que, apesar de a taxa de poupança estar a aumentar ligeiramente, as taxas de juro praticadas são inferiores à inflação o que faz com que, em termos reais, "o dinheiro perca valor".

Leia Também: Santander Totta paga dividendo de 0,60 euros a partir de 31 de março

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