"A República Islâmica do Irão quer o diálogo em posição de igualdade. Não que, por um lado, ameacem o Irão e, por outro, queiram negociar", disse Masud Pezeshkian, numa reunião com o ministro da Ciência, Hosein Simaei Sarraf, e os diretores da área, citada pela agência iraniana IRNA.
"Hoje, os Estados Unidos não só estão a humilhar o Irão, como o mundo, e esse comportamento contradiz o apelo às negociações", denunciou Pezeshkian, aludindo às medidas que têm sido adotadas pela administração de Donald Trump contra outros países.
Desde que regressou à Casa Branca, a 20 de janeiro, Donald Trump tem instado o regime de Teerão a iniciar negociações sobre o seu programa nuclear, com o objetivo de o impedir de fabricar armas atómicas.
Em março, ameaçou lançar um ataque contra as instalações nucleares iranianas se Teerão não aceitar a sua oferta para negociar.
Reagindo a essa ameaça, na segunda-feira, o líder supremo da República Islâmica do Irão, o 'ayatollah' Ali Khameneí, prometeu "um golpe recíproco e forte" em caso de ataque.
Ao mesmo tempo, a administração de Donald Trump reimpôs a política de "pressão máxima" sobre o regime de Teerão, com o objetivo de reduzir a exportação de petróleo iraniano.
Esta medida tem tido grande impacto no país, onde a inflação ronda os 37 por cento e a moeda nacional iraniana caiu para mínimos históricos.
As autoridades de Teerão têm rejeitado negociar diretamente com Washington, mas admitiram iniciar conversações indiretas.
Na sexta-feira, a Rússia apelou a Teerão e a Washington para que resolvam a questão nuclear pela via diplomática e assumam uma postura de "absoluta contenção".
A Rússia e o Irão são aliados, com relações bilaterais desenvolvidas e multifacetadas. O Irão é um parceiro importante da Rússia e, segundo o Ocidente, forneceu-lhe 'drones' e mísseis para a guerra na Ucrânia.
Durante o primeiro mandato (2017-2021), Donald Trump retirou os Estados Unidos de um acordo nuclear com o Irão, em 2018.
O acordo envolvia também China, França, Rússia, Reino Unido e Alemanha e limitava o programa nuclear do Irão em troca do levantamento das sanções económicas.
Com a saída do acordo, Trump restabeleceu as sanções contra a república islâmica.
O Irão e os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980, mas trocam informações indiretamente através da embaixada suíça em Teerão, que representa os interesses norte-americanos.
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